Como podemos explicar Jesus a soprar
o Espírito Santo sobre os discípulos em João 20:19-22, se o
Espírito Santo só foi derramado sobre eles em Atos 2? Isto
significa que o Espírito Santo foi dado duas vezes? Será que os discípulos já
tinham recebido uma medida do Espírito em João e uma plenitude em
Atos? Ou será que são manifestações diferentes do Espírito para
propósitos distintos?
A Bíblia é uma obra magnífica,
interligada de maneira que todos os textos e contextos se completam. No
entanto, algumas passagens podem causar alguma confusão, especialmente quando
analisadas de forma isolada e sem considerar pontos importantes nos planos de
Deus.
Um exemplo disso é a narrativa de
Jesus a soprar o Espírito Santo sobre os discípulos em João 20:22,
que parece contradizer o evento de Atos 2, onde o Espírito Santo
desce sobre eles no Pentecostes. Eles já tinham o Espírito Santo ou não tinham?
Se não tinham, o que Jesus tinha soprado sobre eles?
Vamos explorar como estes eventos,
aparentemente contraditórios, na verdade se complementam e, revelam diferentes aspetos
da atuação do Espírito Santo ao longo do plano de Deus.
A promessa do Espírito Santo.
Antes de analisarmos os textos de João
20 e Atos 2, precisamos de entender a promessa que Jesus fez aos seus
discípulos sobre o Espírito Santo. Em João 14:26, Ele diz:
“Mas o Consolador, o Espírito Santo,
a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará
lembrar de tudo o que vos tenho dito” João 14:26 (ARA).
Jesus deixa claro que o Espírito
Santo viria para guiar e capacitar os discípulos na sua missão. Esta promessa
começa a ser cumprida ainda antes da Sua ascensão aos céus, quando Ele sopra
sobre os discípulos em João 20:22, mas é plenamente realizada em Atos
2, no evento amplo do Pentecostes.
O Espírito Santo em João 20:22.
Após a ressurreição, Jesus
aparece aos discípulos e declara:
“Disse-lhes, pois, Jesus outra vez:
Paz seja convosco! Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio. E, havendo
dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo.” João
20:21-22 (ARA).
Este momento é especial, pois marca
uma capacitação pontual e temporária dos discípulos. Aqui, Jesus lhes confere o
Espírito Santo para os preparar para a missão que está por vir. É uma
antecipação e uma confirmação de que eles estavam a ser equipados para o
serviço. Como Jesus soprou o Espírito Santo em João 20,
se Ele só foi derramado em Atos 2?
Esta ação de Jesus é similar às
manifestações do Espírito Santo no Antigo Testamento, que eram temporárias e
direcionadas para tarefas específicas, como:
Sansão a receber força: “O
Espírito do SENHOR de tal maneira se apossou dele, que as cordas que tinha nos
braços se tornaram como fios de linho queimados” Juízes 15:14 (ARA).
Saul ao profetizar: “O
Espírito de Deus se apossou de Saul, e ele profetizou no meio deles” 1
Samuel 10:10 (ARA).
Bezalel ao receber a habilidade para
construir o tabernáculo: “O enchi do Espírito de Deus, de
habilidade, de inteligência e de conhecimento, em todo artifício” Êxodo
31:2-3 (ARA).
Em todos estes exemplos, o Espírito
Santo agiu de forma pontual, ao capacitar indivíduos para cumprir os propósitos
de Deus.
O Espírito Santo em Atos 2.
Em Atos 2, vemos um
evento diferente e mais abrangente. O Espírito Santo desce sobre os discípulos
de forma plena e, marca o início da era da igreja:
“Todos ficaram cheios do Espírito
Santo e passaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia
que falassem” Atos 2:4 (ARA).
Este derramamento cumpre plenamente a
promessa de João 14 e a promessa de Jesus registada em Atos
1:8:
“Mas recebereis poder, ao descer
sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como
em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra” Atos 1:8 (ARA).
Diferente das manifestações pontuais
do Espírito no Antigo Testamento ou mesmo em João 20, o evento de
Atos 2 inicia uma nova fase; a presença contínua e permanente do
Espírito Santo na vida dos crentes, capacitando-os para testemunhar e expandir
o Reino de Deus.
Como harmonizar João 20 e Atos
2?
Estes dois eventos não são
contraditórios, mas complementares. A explicação está na diferença entre as
funções e os propósitos das manifestações do Espírito Santo:
João 20:22 representa uma capacitação
pontual e temporária, semelhante às ações do Espírito no Antigo Testamento.
Jesus sopra sobre os discípulos para os preparar para a missão imediata, mas esta
não é a plenitude do Espírito Santo que viria.
Atos 2 marca a plenitude e permanência
do Espírito Santo na vida dos discípulos e de todos os crentes. É o cumprimento
final da promessa de Jesus, ao trazer poder e capacitação para a expansão do
evangelho.
Conclusão:
A aparente contradição entre João
20:22 e Atos 2 é resolvida quando entendemos os diferentes propósitos
destas manifestações do Espírito Santo. Ambos os eventos são expressões do
plano perfeito de Deus, que age de forma progressiva e harmoniosa para equipar
e capacitar os Seus servos.
Como cristãos, somos chamados a viver
na plenitude do Espírito, a confiar na Sua capacitação constante para sermos
testemunhas eficazes de Cristo.
Pajovi
