quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Apóstolos? Porque é que este título não pode existir nos dias atuais!

 

A Bíblia apresenta-nos Jesus a escolher pessoalmente os seus apóstolos. Eles são mencionados diversas vezes e em muitos textos conhecidos como “os doze”:

 

“Estando Jesus para subir a Jerusalém, chamou à parte os doze e, em caminho, lhes disse:” Mateus 20:17/ARA. 

 

Isto mostra que esta posição era apenas para aqueles que fossem escolhidos pelo Senhor. E assim foi durante todo o tempo em que Jesus esteve presente na sua missão na terra. 

Porém, após a morte de Cristo, na sua ressurreição e ainda na traição de Judas, que era um dos doze, uma dessas vagas ficou em aberto. E é aqui que devemos centrar a nossa atenção! 

Como é que os 11 apóstolos preencheram esta vaga? Quais os critérios que usaram? Será que isto não nos aponta exatamente para o que era o apostolado e que muitos hoje em dia ignoram?

 

O problema da vaga deixada por Judas.

Com a morte de Judas, os discípulos entenderam que era necessário preencher novamente o número de doze apóstolos. Não se tratava de um cargo qualquer, mas de uma função que tinha critérios claros e bem definidos. 

Pedro, como líder dos apóstolos, foi quem trouxe à tona os parâmetros que deveriam ser seguidos. O texto de Atos regista a sua conversa: 

 

“É necessário, pois, que, dos homens que nos acompanharam todo o tempo que o Senhor Jesus andou entre nós, começando no batismo de João, até ao dia em que dentre nós foi levado às alturas, um destes se torne testemunha connosco da sua ressurreição” Atos 1:21-22/ARA.

 

O que temos aqui é justamente uma diretriz clara que molda a pessoa que pode ser um apóstolo de Cristo, baseado na intenção de Jesus em formar este grupo! E isto não pode ser esquecido! Não é um mero texto descritivo, é o texto que dá diretrizes importantes!

 

Os critérios bíblicos para ser um apóstolo.

Pedro deixa claro que o apóstolo a ser escolhido não poderia ser qualquer discípulo e nem poderia ser qualquer quantidade. O critério era objetivo e inflexível: Acompanhamento constante de Jesus: O escolhido para completar a décima segunda vaga deveria ter andado com Cristo “todo o tempo”, desde o batismo de João, até à sua ascensão. Isto eliminava qualquer candidato que se tivesse aproximado mais tarde ou que fosse inconstante na sua dedicação ao Senhor. E, claro, afastava aproveitadores e manipuladores!

Testemunha ocular da ressurreição: Não bastava ouvir falar, era preciso ter visto e testemunhado a ressurreição de Jesus, um dos pilares centrais da fé cristã.

Estes critérios mostram que o apostolado não era aberto a qualquer um. Era necessário ter vivenciado pessoalmente toda a obra de Cristo, algo impossível para qualquer pessoa dos nossos dias, não é mesmo?

Esse relato lança muita luz sobre o tema. Se os apóstolos usaram critérios tão objetivos, porque é que hoje se aceitaria que qualquer homem se autodenomine apóstolo, com base em critérios subjetivos que ele mesmo escolhe? 

Muitos líderes modernos tentam legitimar o seu título alegando; “chamado especial” ou “autoridade espiritual”, mas nada disto encontra apoio nas Escrituras.

A questão do apostolado de Paulo, é uma exceção válida?

Alguém pode levantar a questão: “Mas e Paulo? Ele não se encaixava nestes critérios estabelecidos por Pedro”. É verdade, Paulo não estava entre os que acompanharam Jesus desde o batismo de João até à sua ascensão. 

No entanto, a sua situação foi completamente singular. O próprio Cristo apareceu a Paulo de forma direta, o delegou pessoalmente e o capacitou para esta missão.

Além disto, Paulo não foi apenas mais um discípulo; ele tornou-se o maior escritor do Novo Testamento, responsável por boa parte da teologia cristã.

Isto leva-nos a compreender que Paulo foi a exceção da exceção. E, justamente por isto, não podemos tomar a sua experiência como uma regra, para legitimar pessoas de hoje que se dizem apóstolos. Paulo foi chamado diretamente por Cristo glorificado, algo que não se repete nos dias atuais.

E, claro, Paulo demonstrou o seu chamamento de forma única, não somente pela sua vida dedicada a Cristo, mas também através de sinais e dos seus escritos inspirados pelo Espírito Santo; algo impossível de ser copiado em qualquer tempo!

 

“E não nos esqueçamos do aval dos próprios apóstolos, que receberam Paulo e seus escritos, sem censurá-lo: e tende por salvação a longanimidade de nosso Senhor, como igualmente o nosso amado irmão Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada” 2 Pedro 3:15/ARA.

 

O ofício de apóstolo não teve continuidade!

Não temos, em nenhuma parte das Escrituras, um indicativo de que o “ofício de apóstolo” deveria ter continuidade além daqueles escolhidos por Cristo e, posteriormente, Matias e Paulo. 

Os critérios eram tão restritos e específicos que não poderiam ser satisfeitos por ninguém nos nossos dias. Quando alguém hoje se intitula “apóstolo”, na prática está a inventar critérios diferentes dos que a Bíblia apresenta. Isto significa acrescentar algo à Palavra de Deus, o que é um erro grave.

Os apóstolos tiveram um papel fundamental e único na formação da igreja primitiva. Paulo deixa isto claro na sua carta aos efésios:

 

“edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular” Efésios 2:20/ARA. 

 

Isto significa, que os apóstolos, foram colocados como base para a edificação da igreja, junto com os profetas do Antigo Testamento, tendo Cristo como a principal referência. 

O fundamento de uma construção não se repete; ele é colocado uma única vez para sustentar todo o edifício. Assim também aconteceu com o ministério apostólico; uma vez estabelecido o fundamento, não há necessidade de novos apóstolos, pois o que era essencial já foi plenamente dado.

Aceitar outros critérios subjetivos hoje em dia é abrir espaço para a manipulação. Alguns chamam-se apóstolos por causa da influência, poder religioso ou “status” diante dos seus seguidores. 

Mas, se a Palavra de Deus estabelece claramente os critérios e esses critérios não podem mais ser cumpridos, não cabe ao homem criar novos critérios. A autoridade espiritual verdadeira não está nos títulos humanos, mas na fidelidade à Palavra e ao evangelho de Cristo.

 

Conclusão: Existem apóstolos hoje?

Um ponto importante a considerar é o significado do termo “apóstolo”. No grego, apóstolos quer dizer “enviado” ou “mensageiro”. Neste sentido mais amplo, todo o missionário ou pregador que leva a mensagem do evangelho pode ser visto como um “enviado” (apóstolo). 

Contudo, isto não equivale ao ofício apostólico instituído por Cristo. Os apóstolos, como os doze e Paulo, não foram apenas enviados, mas testemunhas oculares do ministério e da ressurreição de Jesus, além de terem recebido autoridade direta do Senhor. 

Misturar estes dois significados; o amplo (enviado) e o restrito (ofício apostólico), gera confusão e abre espaço para títulos, que não têm qualquer fundamento bíblico.

Com base em tudo o que vimos, a resposta é clara; não existem apóstolos nos dias de hoje. O ofício foi exclusivo para aqueles que andaram pessoalmente com Jesus e foram escolhidos por Ele. 

Matias foi escolhido dentro destes critérios e Paulo foi chamado de maneira extraordinária pelo próprio Cristo ressurreto. Fora isto, não há qualquer base bíblica para novos apóstolos. 

Portanto, os que se autodenominam apóstolos atualmente estão a usar um título que não lhes pertence biblicamente. Como tal, é preciso ter muito cuidado com as mensagens que vêm de pessoas como estas.

 

Pajovi

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