A Bíblia apresenta-nos Jesus a escolher
pessoalmente os seus apóstolos. Eles são mencionados diversas
vezes e em muitos textos conhecidos como “os doze”:
“Estando Jesus para subir a
Jerusalém, chamou à parte os doze e, em caminho, lhes disse:” Mateus 20:17/ARA.
Isto mostra que esta posição era
apenas para aqueles que fossem escolhidos pelo Senhor. E assim foi durante todo
o tempo em que Jesus esteve presente na sua missão na terra.
Porém, após a morte de Cristo, na sua
ressurreição e ainda na traição de Judas, que era um dos doze, uma dessas vagas
ficou em aberto. E é aqui que devemos centrar a nossa atenção!
Como é que os 11 apóstolos
preencheram esta vaga? Quais os critérios que usaram? Será que isto não nos
aponta exatamente para o que era o apostolado e que muitos hoje em dia ignoram?
O problema da vaga deixada por Judas.
Com a morte de Judas, os discípulos
entenderam que era necessário preencher novamente o número de doze apóstolos.
Não se tratava de um cargo qualquer, mas de uma função que tinha critérios
claros e bem definidos.
Pedro, como líder dos apóstolos, foi
quem trouxe à tona os parâmetros que deveriam ser seguidos. O texto de Atos
regista a sua conversa:
“É necessário, pois, que, dos homens
que nos acompanharam todo o tempo que o Senhor Jesus andou entre nós, começando
no batismo de João, até ao dia em que dentre nós foi levado às alturas, um
destes se torne testemunha connosco da sua ressurreição” Atos 1:21-22/ARA.
O que temos aqui é justamente uma
diretriz clara que molda a pessoa que pode ser um apóstolo de Cristo, baseado
na intenção de Jesus em formar este grupo! E isto não pode ser esquecido! Não é
um mero texto descritivo, é o texto que dá diretrizes importantes!
Os critérios bíblicos para ser um
apóstolo.
Pedro deixa claro que o apóstolo a
ser escolhido não poderia ser qualquer discípulo e nem poderia ser qualquer
quantidade. O critério era objetivo e inflexível: Acompanhamento constante de Jesus: O escolhido para completar a décima
segunda vaga deveria ter andado com Cristo “todo o tempo”, desde
o batismo de João, até à sua ascensão. Isto eliminava qualquer
candidato que se tivesse aproximado mais tarde ou que fosse inconstante na sua
dedicação ao Senhor. E, claro, afastava aproveitadores e manipuladores!
Testemunha ocular da ressurreição: Não
bastava ouvir falar, era preciso ter visto e testemunhado a ressurreição
de Jesus, um dos pilares centrais da fé cristã.
Estes critérios mostram que o
apostolado não era aberto a qualquer um. Era necessário ter vivenciado
pessoalmente toda a obra de Cristo, algo impossível para qualquer pessoa dos
nossos dias, não é mesmo?
Esse relato lança muita luz sobre o
tema. Se os apóstolos usaram critérios tão objetivos, porque é que hoje se
aceitaria que qualquer homem se autodenomine apóstolo, com base
em critérios subjetivos que ele mesmo escolhe?
Muitos líderes modernos tentam
legitimar o seu título alegando; “chamado especial” ou “autoridade espiritual”,
mas nada disto encontra apoio nas Escrituras.
A questão do apostolado de Paulo, é uma
exceção válida?
Alguém pode levantar a questão: “Mas
e Paulo? Ele não se encaixava nestes critérios estabelecidos por
Pedro”. É verdade, Paulo não estava entre os que acompanharam Jesus desde o
batismo de João até à sua ascensão.
No entanto, a sua situação foi
completamente singular. O próprio Cristo apareceu a Paulo de forma direta, o
delegou pessoalmente e o capacitou para esta missão.
Além disto, Paulo não foi apenas mais
um discípulo; ele tornou-se o maior escritor do Novo Testamento, responsável
por boa parte da teologia cristã.
Isto leva-nos a compreender que Paulo
foi a exceção da exceção. E, justamente por isto, não podemos tomar a sua
experiência como uma regra, para legitimar pessoas de hoje que se dizem
apóstolos. Paulo foi chamado diretamente por Cristo glorificado, algo que não
se repete nos dias atuais.
E, claro, Paulo demonstrou o seu
chamamento de forma única, não somente pela sua vida dedicada a Cristo, mas
também através de sinais e dos seus escritos inspirados pelo Espírito Santo; algo
impossível de ser copiado em qualquer tempo!
“E não nos esqueçamos do aval dos
próprios apóstolos, que receberam Paulo e seus escritos, sem censurá-lo: e
tende por salvação a longanimidade de nosso Senhor, como igualmente o nosso
amado irmão Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada” 2 Pedro
3:15/ARA.
O ofício de apóstolo não teve
continuidade!
Não temos, em nenhuma parte das
Escrituras, um indicativo de que o “ofício de apóstolo” deveria
ter continuidade além daqueles escolhidos por Cristo e, posteriormente, Matias
e Paulo.
Os critérios eram tão restritos e
específicos que não poderiam ser satisfeitos por ninguém nos nossos dias.
Quando alguém hoje se intitula “apóstolo”, na prática está a inventar
critérios diferentes dos que a Bíblia apresenta. Isto significa acrescentar
algo à Palavra de Deus, o que é um erro grave.
Os apóstolos tiveram um papel
fundamental e único na formação da igreja primitiva. Paulo deixa isto claro na
sua carta aos efésios:
“edificados sobre o fundamento dos
apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular” Efésios
2:20/ARA.
Isto significa, que os apóstolos,
foram colocados como base para a edificação da igreja, junto com os profetas do
Antigo Testamento, tendo Cristo como a principal referência.
O fundamento de uma construção não se
repete; ele é colocado uma única vez para sustentar todo o edifício. Assim
também aconteceu com o ministério apostólico; uma vez estabelecido o
fundamento, não há necessidade de novos apóstolos, pois o que era essencial já
foi plenamente dado.
Aceitar outros critérios subjetivos
hoje em dia é abrir espaço para a manipulação. Alguns chamam-se
apóstolos por causa da influência, poder religioso ou “status” diante dos
seus seguidores.
Mas, se a Palavra de Deus estabelece
claramente os critérios e esses critérios não podem mais ser cumpridos, não
cabe ao homem criar novos critérios. A autoridade espiritual verdadeira não
está nos títulos humanos, mas na fidelidade à Palavra e ao evangelho de Cristo.
Conclusão: Existem apóstolos hoje?
Um ponto importante a considerar é o
significado do termo “apóstolo”. No grego, apóstolos quer
dizer “enviado” ou “mensageiro”. Neste sentido mais amplo, todo o missionário
ou pregador que leva a mensagem do evangelho pode ser visto como um “enviado”
(apóstolo).
Contudo, isto não equivale ao ofício
apostólico instituído por Cristo. Os apóstolos, como os doze e Paulo,
não foram apenas enviados, mas testemunhas oculares do ministério e da
ressurreição de Jesus, além de terem recebido autoridade direta do
Senhor.
Misturar estes dois significados; o
amplo (enviado) e o restrito (ofício apostólico), gera confusão e abre
espaço para títulos, que não têm qualquer fundamento bíblico.
Com base em tudo o que vimos, a
resposta é clara; não existem apóstolos nos dias de hoje. O
ofício foi exclusivo para aqueles que andaram pessoalmente com Jesus e foram
escolhidos por Ele.
Matias foi escolhido dentro destes
critérios e Paulo foi chamado de maneira extraordinária pelo próprio Cristo
ressurreto. Fora isto, não há qualquer base bíblica para novos
apóstolos.
Portanto, os que se autodenominam
apóstolos atualmente estão a usar um título que não lhes pertence biblicamente.
Como tal, é preciso ter muito cuidado com as mensagens que vêm de pessoas como
estas.
Pajovi
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