terça-feira, 8 de setembro de 2026

O que são os textos apócrifos?

 

Os textos apócrifos são; escritos antigos sobre temas religiosos que ficaram fora da Bíblia oficial. A palavra vem do grego e significa "oculto" ou "escondido". Eles não foram aceites pelas igrejas cristãs como livros inspirados por Deus, mas ajudam a entender as ideias dos primeiros séculos do cristianismo.

O que são e por que ficaram de fora.

→Origem incerta: Foram escritos anos ou séculos depois dos eventos.

→Falta de reconhecimento: As comunidades cristãs primitivas não viram neles a mesma autoridade dos livros oficiais.

→Diferenças de doutrina: Alguns trazem ideias contrárias à tradição da igreja ou contêm histórias fantásticas sobre Jesus.

Exemplos conhecidos

→Evangelho de Tomé: Traz frases secretas atribuídas a Jesus.

→Evangelho de Judas: Mostra uma visão diferente sobre a traição de Judas.

→Pró Evangelho de Tiago: Fala sobre a infância de Maria e detalhes que se tornaram tradição popular.

 

Para descartar os evangelhos apócrifos, os líderes da Igreja primitiva aplicaram quatro critérios principais entre os séculos II e IV. Os textos que falharam num ou mais destes testes foram excluídos do Novo Testamento.

 

1. Datação tardia (Falta de contemporaneidade)

→Distância dos fatos: Os evangelhos oficiais foram escritos no século I. Os apócrifos surgiram bem mais tarde, a partir de meados do século II, III e IV.

→Sem testemunhas: Os autores dos apócrifos não conviveram com Jesus nem com os seus discípulos diretos.

 

2. Pseudonímia (Falsa autoria)

→Nomes famosos: Para ganhar autoridade, os textos apócrifos usavam nomes de apóstolos na assinatura (como Tomé, Pedro, Filipe e Judas).

→Fraude literária: A Igreja identificou que o estilo de escrita e o vocabulário não correspondiam à época daqueles personagens.

 

3. Contrariedade teológica (Critério da Ortodoxia)

→Gnosticismo: Muitos apócrifos traziam a ideia de que a salvação vinha de um conhecimento secreto e não da fé e da graça.

→Negação da humanidade: Alguns textos afirmavam que Jesus era apenas um espírito e que não tinha um corpo físico real (Docetismo).

→Contos fantasiosos: Apresentavam histórias exageradas e extravagantes sobre a infância de Jesus que desviavam a atenção da sua mensagem central.


4. Falta de catolicidade (Uso comunitário)

→Isolamento: Os textos apócrifos circulavam apenas em pequenos grupos ou seitas específicas.

→Rejeição global: Eles nunca foram adotados de forma universal e contínua nas leituras litúrgicas da maioria das igrejas cristãs da época.

A Bíblia oficial não surgiu de uma vez só. O processo de escolha dos livros que fazem parte dela chama-se canonização. A palavra "cânone" vem do grego e significa "régua" ou "padrão".

A organização da Bíblia foi dividida em duas grandes etapas: o Antigo Testamento e o Novo Testamento.

 

1. O Antigo Testamento

→Bíblia Hebraica: Os judeus já tinham uma lista de livros sagrados (a Tanakh).

→Tradução dos Setenta ou “A Septuaginta”: No século III a.C., estes livros foram traduzidos para o grego.

→Divergência: A Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa mantiveram alguns livros desta tradução grega (como Tobias e Macabeus). As igrejas protestantes preferiram seguir apenas o cânone hebraico estrito.

 

2. O Novo Testamento

Nos primeiros séculos do cristianismo, muitas cartas e evangelhos circulavam entre as igrejas. Para definir quais eram oficiais, os líderes cristãos usaram três critérios principais:

→Origem apostólica: O livro tinha de ser escrito por um apóstolo ou por alguém muito próximo a eles.

→Uso contínuo: O texto precisava ser lido e aceite pela maioria das igrejas cristãs da época.

→Doutrina correta: A mensagem não podia contradizer os ensinamentos já aceites de Jesus.

 

3. A Oficialização

→Lista de Atanásio (367 d.C.): O bispo Atanásio de Alexandria listou os 27 livros do Novo Testamento exatamente como temos hoje.

→Concílios da Igreja (Finais do século IV): Reuniões de bispos em Roma, Hipona e Cartago confirmaram essa lista no Ocidente.

→Vulgata Latina: São Jerónimo traduziu todos estes livros para o latim, unificando a Bíblia numa única obra.

 

Pajovi

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