Os textos apócrifos são; escritos
antigos sobre temas religiosos que ficaram fora da Bíblia oficial. A palavra
vem do grego e significa "oculto" ou "escondido".
Eles não foram aceites pelas igrejas cristãs como livros inspirados por Deus,
mas ajudam a entender as ideias dos primeiros séculos do cristianismo.
O que são e por que ficaram de fora.
→Origem incerta: Foram escritos anos ou séculos depois dos eventos.
→Falta de reconhecimento: As comunidades cristãs primitivas não viram neles a
mesma autoridade dos livros oficiais.
→Diferenças de doutrina: Alguns trazem ideias contrárias à tradição da igreja
ou contêm histórias fantásticas sobre Jesus.
Exemplos conhecidos
→Evangelho de Tomé: Traz frases secretas atribuídas a Jesus.
→Evangelho de Judas: Mostra uma visão diferente sobre a traição de Judas.
→Pró Evangelho de Tiago: Fala sobre a infância de Maria e detalhes que se
tornaram tradição popular.
Para descartar os evangelhos
apócrifos, os líderes da Igreja primitiva aplicaram quatro critérios principais
entre os séculos II e IV. Os textos que falharam num ou mais destes testes
foram excluídos do Novo Testamento.
1. Datação tardia (Falta de
contemporaneidade)
→Distância dos fatos: Os evangelhos oficiais foram escritos no século I. Os
apócrifos surgiram bem mais tarde, a partir de meados do século II, III e IV.
→Sem testemunhas: Os autores dos apócrifos não conviveram com Jesus nem com os
seus discípulos diretos.
2. Pseudonímia (Falsa autoria)
→Nomes famosos: Para ganhar autoridade, os textos apócrifos usavam nomes de
apóstolos na assinatura (como Tomé, Pedro, Filipe e Judas).
→Fraude literária: A Igreja identificou que o estilo de escrita e o vocabulário
não correspondiam à época daqueles personagens.
3. Contrariedade teológica (Critério
da Ortodoxia)
→Gnosticismo: Muitos apócrifos traziam a ideia de que a salvação vinha de
um conhecimento secreto e não da fé e da graça.
→Negação da humanidade: Alguns textos afirmavam que Jesus era apenas um espírito e
que não tinha um corpo físico real (Docetismo).
→Contos fantasiosos: Apresentavam histórias exageradas e extravagantes sobre a
infância de Jesus que desviavam a atenção da sua mensagem central.
4. Falta de catolicidade (Uso
comunitário)
→Isolamento: Os textos apócrifos circulavam apenas em pequenos grupos ou
seitas específicas.
→Rejeição global: Eles nunca foram adotados de forma universal e contínua nas
leituras litúrgicas da maioria das igrejas cristãs da época.
A Bíblia oficial não surgiu de uma
vez só. O processo de escolha dos livros que fazem parte dela chama-se canonização.
A palavra "cânone" vem do grego e significa
"régua" ou "padrão".
A organização da Bíblia foi dividida
em duas grandes etapas: o Antigo Testamento e o Novo Testamento.
1. O Antigo Testamento
→Bíblia Hebraica: Os judeus já tinham uma lista de livros sagrados (a Tanakh).
→Tradução dos Setenta ou “A Septuaginta”: No século III a.C., estes livros
foram traduzidos para o grego.
→Divergência: A Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa mantiveram alguns
livros desta tradução grega (como Tobias e Macabeus). As igrejas protestantes
preferiram seguir apenas o cânone hebraico estrito.
2. O Novo Testamento
Nos primeiros séculos do
cristianismo, muitas cartas e evangelhos circulavam entre as igrejas. Para
definir quais eram oficiais, os líderes cristãos usaram três critérios
principais:
→Origem apostólica: O livro tinha de ser escrito por um apóstolo ou por alguém
muito próximo a eles.
→Uso contínuo: O texto precisava ser lido e aceite pela maioria das igrejas
cristãs da época.
→Doutrina correta: A mensagem não podia contradizer os ensinamentos já aceites
de Jesus.
3. A Oficialização
→Lista de Atanásio (367 d.C.): O bispo Atanásio de Alexandria
listou os 27 livros do Novo Testamento exatamente como temos hoje.
→Concílios da Igreja (Finais do século IV): Reuniões de bispos em Roma, Hipona e
Cartago confirmaram essa lista no Ocidente.
→Vulgata Latina: São Jerónimo traduziu todos estes livros para o latim,
unificando a Bíblia numa única obra.
Pajovi
Sem comentários:
Enviar um comentário