quarta-feira, 29 de maio de 2013

AVENTURAS DE DOIS AMIGOS – PARTE 2

Entre os veteranos, contavam-se dois homens, no agrupamento, que ninguém sabia ao certo quem eram, nem de onde tinham vindo. Falavam correctamente o inglês, mas ninguém os supunha ingleses ou norte-americanos, dado a impossibilidade dos naturais destas nacionalidades se alistarem. Um deles, Alexandre. O mais velho franzino e nervoso, tez morena ou crestada pelo Sol africano, olhos castanhos penetrantes, face chupada e ossuda, devia ter entre trinta e cinco a quarenta anos. Já estava no agrupamento há oito anos. As balas fugiam-lhe, embora ele nunca se desviasse para lhes dar passagem.
                Quando lhe perguntavam qual a sua verdadeira nacionalidade, Alexandre sorria e encolhia os ombros. Inscrevera-se como checo, mas, um dia, confessara inadvertidamente a outro checo, com quem aliás falava sempre em alemão, que gostaria de visitar a República Checa. Contudo, os seus papéis eram Checos. Como checo o inscreveram no agrupamento as autoridades Espanholas. O seu nome, porém, era do mais vulgar súbdito de Sua Majestade Britânica; Alexandre Smith. Por comodidade os companheiros passaram a chamar-lhe apenas Alexandre.
                Era um dos elementos mais antigos da Legião Estrangeira e parecia disposto a nunca mais de lá sair, a não ser que a morte irritada com o seu desafio constante, resolvesse levá-lo um dia.
                Bom militar, inteligente, disciplinado, cometendo serenamente actos de espantosa temeridade, Alexandre, contudo, nunca subira além de cabo e parecia não ter maiores ambições. Condecorado várias vezes, mostrava-se indiferente às honrarias. No entanto, toda a gente lhe reconhecia excepcionais qualidades para subir de posto se quisesse. Era uma coisa bem patente. Não queria sair da obscuridade. Se quisesse poderia ser alferes. Os seus superiores não o contrariavam, deixavam-no permanecer naquele posto humilde, onde aliás era de grande utilidade.
                Alexandre percebia de tudo. Ninguém sabia até onde iam os seus conhecimentos. Não havia problema de mecânica que não resolvesse e quando às vezes, os técnicos, perante uma metralhadora encravada ou um avião imobilizado, cruzavam os braços, dizendo, como médicos perante uma enfermidade incurável, que nada havia a fazer, chamava-se o Alexandre, em último recurso, quase sempre quando já estavam perdidas todas as esperanças e Alexandre consertava facilmente a metralhadora e punha o motor do avião a funcionar.
                Um dia, o capitão que era ríspido e não tinha papas na língua, perguntou-lhe; Homem, tu és engenheiro? Alexandre sorriu, com o seu ar misterioso e respondeu, com estranha humildade; Apenas aprendi alguma coisa de funileiro. Mas a verdade é que Alexandre tinha uma cultura pouco vulgar; Comprazia-se em dissimulá-la, apenas fazendo, de quando em quando, surpresas aos companheiros.
                Falava inúmeros idiomas; Espanhol como um verdadeiro Castelhano, o francês e o inglês não tinham segredos para ele. Dois russos que havia na companhia só com ele se deliciavam a falar a língua materna e afirmavam que ele tinha uma pronúncia perfeitamente moscovita. O inglês era o idioma em que se exprimia mais correntemente, mas não se sabia ao certo quantas línguas ele dominava. Se na sua presença, se falava de Anatomia, de Química, de História, de Geografia ou de Etnografia das regiões mais exóticas, Alexandre falava delas com simplicidade, revelando uma erudição que deixava os companheiros assombrados.
                Era muito metido consigo próprio. Raras vezes se embriagava e fumava que nem uma chaminé, por um cachimbo muito queimado. Contava com amizades em toda a Companhia, mas ninguém se podia gabar da sua intimidade. Havia nele sempre qualquer coisa de inacessível e andava geralmente só. O único que se via mais vezes com ele, em conversas longas e gesticuladas era Paulo Lopes, o Argentino. Mas quem poderia resistir à loquacidade e simpatia de Lopes? Nem Alexandre! O Lopes era o homem mais falador da Legião estrangeira e por falar demais, algumas vezes fora castigado. Nem mesmo quando era sentenciado a trazer às costas um pesado saco cheio de arei do Deserto, saco que nem durante as refeições lhe era retirado, o Lopes se calava. Cumpria falando, esta pena bárbara a que algumas vezes o condenaram por falar demais. Se me calo rebento! Dizia ele, com os grandes olhos escancarados, no terror de lhe porem uma mordaça.
                O Paulo ia no quarto ano de servidão na Companhia. Apanhara apenas dois anos de guerra. Depois, cessaram as hostilidades e ele sentia-se logrado. Vim aqui para combater e não para fazer vida de camponês! Berrava ele, em protesto. Contratara-se por cinco anos. Tinha de ir até ao fim, sem fazer uso da espingarda, que fora substituída pela charrua. Os legionários eram agora uns lavradores militarizados e aborreciam-se daquela vida.
                Paulo Lopes não tinha medo em confessar que a sua vontade era fugir. Não viera a Marrocos para viver em paz. Ele pertencia ao número dos que se alistaram por espírito de aventura. Vivia folgadamente na sua terra. O seu pai possuía boas propriedades na Argentina e uma esplêndida vivenda em Buenos Aires. Pra fazer vida de camponês, tinha ficado a trabalhar na terra do pai. Viera para combater. Era esse o contrato. Se não lhe davam ensejo de combater, é porque o Governo de Espanha faltava ao contrato. Estava, portanto, rescindido, por falta de uma das partes…
                Os oficiais riam-se dos protestos do Argentino. Sabiam que ele era sincero na sua indignação, porque se mostrara sempre um bravo, nunca voltando a cara ao perigo.
                As ameaças de deserção do Argentino, porém pareciam brincadeira. Toda a gente sabia que muitos desertores tinham pago com a vida a temeridade de fugir. Brigadas de perseguição partiam no encalço dos fugitivos e sucedia algumas vezes, que os matavam, sem querer é claro. Os que escapavam eram condenados a uma vida tão miserável que só lembrar causava horror. Outros que conseguiam escapar aos perseguidores, não conseguiam não conseguiam salvar-se de outro perigo maior; O implacável deserto, onde muitos morriam de sede e de fome.
                Não, não era fácil fugir da Legião Estrangeira. A prudência aconselhava a aguardar pacientemente o fim do contrato, tanto mais que concluídas as hostilidades, havia cerca de um ano, a vida não era má e decorria com calma.
                Entre os que escutavam a algaraviada do Argentino, sobre a vida aborrecida que ultimamente se levava na Legião Estrangeira, estava um rapagão espadaúdo e alto, um maravilhoso atleta da Companhia, que tinha um génio folgazão e uns músculos temíveis. Chamava-se Rogério, dizia-se Belga e falava mal o francês. Era mais um paradoxo daquele ambiente de aventureiros. Porque razão o belga falava tão mal o francês e se exprimia tão bem em espanhol e inglês? Os seus colegas pouco o assediavam com perguntas a tal respeito, porque ali o passado de cada um, é coisa sagrada na qual ninguém toca. Se Rogério era um bom companheiro, valente como poucos, forte como um búfalo um pouco ingénuo, como se fosse um menino muito grande, isso bastava à curiosidade dos camaradas, que admiravam os seus feitos desportivos e algumas façanhas heróicas  praticadas, afirmava ele, sinceramente, sem dar por isso.
                Rogério pouco se dava com Alexandre. Tinha por ele um respeito muito grande e sentia-se tímido ao seu lado. Durante os seis anos que já vivera na Companhia, podiam-se contar pelos dedos as vezes que falara com o erudito camarada e este nem parecia dar pela sua presença, pois talvez não compartilhasse da admiração geral pela força extraordinária do belga.
                Em compensação, principalmente nos últimos tempos, Rogério e o argentino tinham-se tornado unha com carne. Onde estivesse um estava o outro.


Pajovi   Maio 2013

domingo, 19 de maio de 2013

AVENTURAS DE DOIS AMIGOS – PARTE 1


Deram mais alguns passos hesitantes arrastando as “babuchas mouriscas”, que deixavam na areia um longo sulco, mas Paulo Lopes deteve-se arquejante, amparado pelos companheiros e murmurou, com voz entre-cortada; Não posso mais!
                Rogério e Alexandre trocaram um olhar angustiado, que o outro, todo derrubado para a frente, como se a cada momento fosse cair, não pode ver.
                Olharam depois em redor vagueando a vista pelo deserto, na esperança de que no amplo ermo, aparecesse a salvação. Nada! Tudo era desolação. Nem o vulto de uma palmeira surgia ao longe, a acenar-lhes a promessa de uma pequena sombra.
                Vamos, mais um pouco de energia – aconselhou Rogério, o mais alto dos três e por certo, aquele que devido à sua constituição atlética, parecia mais resistente aos tormentos do deserto.
                Creio que já vejo ali à frente despontar as folhas verdes de uma palmeira… mentiu Alexandre que embora sendo o mais franzino, tentava animar o Lopes, vencido pela fadiga.
                Havia vinte dias que disfarçados naquelas vestes brancas de mouros, se tinham escapado do acampamento da Legião Estrangeira. A ideia fora de Paulo Lopes. Ele contagiara os camaradas com todo o seu entusiasmo, comprara os mantimentos, adquirira a um Árabe amigo os trajos mouriscos, estudara durante semanas, em silêncio e segredo o itinerário a seguir, dera-lhes o último empurrão, quando os companheiros se mostraram hesitantes e era agora o que primeiro se deixava abater.
                A ideia de abandonar a Legião Estrangeira, de que os três eram veteranos, andava há muito tempo a assolar as suas mentes. Mas calavam-na. O receio de que os oficiais suspeitassem de tais planos levava-os a dissimulá-los, ocultando-os dos próprios companheiros de armas.
                O único, que às vezes se atrevia a falar de uma possível deserção, era o Paulo. Mas à cautela, fazia-o em tom de chacota, acrescentando até, cheio de seriedade e aparente convicção, que o Legionário que tentasse a fuga na época em curso deveria ser considerado louco varrido e punido seriamente.
                Compreendia-se um desertor, naqueles tempos terríveis em que se jogava a vida a cada momento; Mas agora, que o soldado fora transformado em colono, trocando a espingarda pela charrua, a baioneta pela enxada, embora sujeito à disciplina militar, parecia pura loucura abandonar uma existência calma, sem riscos, com alimentação e vestuário garantidos e dinheiro no bolso, para gastar no Bar e amealhar uma boa porção.
                Quem seria o imbecil, que vivendo nestas condições de tranquilidade e segurança, quereria trocar tão preciosas vantagens pela vida civil, tão incerta, da qual a maioria dos soldados já se desabituara, ou pelos riscos de uma fuga, que implicava severas punições?
                 O agrupamento era formado por gente das mais diversas condições sociais, vinda muitas vezes sabe-se lá de onde. O passado do homem que se alistava na Legião Estrangeira, para combater, não contava. Era letra morta. A vida, uma existência espinhosa, plena de perigos, começava no momento em que se alistava, muitas vezes para terminar pouco tempo depois no primeiro combate em que entrava. Pouco importava que longe, algures no Mundo, houvesse uma mãe, uma esposa ou uma namorada, para quem esse homem representasse a única afeição. Essas “pieguices” ocultava-as cada um bem fundo no seu coração, como se fossem fraquezas condenáveis. Raros eram os vestígios dessas afeições distantes. Às vezes, no espólio de um caído para sempre no campo de batalha, encontrava-se o retrato de uma mulher, com uma terna dedicatória ou de um velhote (um pai ou avô), que nem sabia em que recanto do mundo o rapaz se encontrava.
                Havia Legionários que nunca falavam da vida passada. Alguns ocultavam crimes que lhes pesavam na consciência e tentavam redimir-se, expondo a vida em locais mais arriscados durante os combates, cometendo temeridades que chegavam a encher de espanto os veteranos, a quem as balas, depois de uma longa vida e vã perseguição, parecia já nem quererem procurar. Outros alistavam-se por simples espírito de aventura. Eram estes, que não tendo vergonhas a esconder, nem episódios amargos a recordar, se mostravam mais faladores, sobretudo nas conversas tidas no Bar, evocando bons tempos nas suas aldeias tranquilas onde nasceram.
                O agrupamento era uma autêntica “Babel”. Nele tinham entrada livre, aventureiros de todos os Países, de todas as latitudes, de todas as raças. Só Ingleses e Norte-Americanos, por um convénio especial, eram proibidos de se alistar. No entanto alguns por lá passaram… Depois de se terem nacionalizado turcos, argentinos ou peruanos. Polacos, russos, lituanos, checos, portugueses, franceses de todo o lado por lá apareceram oferecendo o seu sangue pela causa Espanhola. Porque ela fosse justa? Por amor a um País de que em regra mal sabiam o idioma? Não! Apenas porque ali se arriscava a vida, ou porque se vivia uma grande aventura, ou porque se encontrava um refúgio, enquanto a morte não se lembrasse de os levar.
                 Se Marrocos tivesse instituído a Legião Estrangeira e pudesse pagá-la tão facilmente como os Espanhóis, mais de metade do agrupamento passava-se para as fileiras do agora inimigo.
                O Legionário, em regra, depois de alistado, sofria uma grande desilusão, sobretudo se era um velho ideal de cavalaria que o levava a Marrocos. A disciplina era férrea, brutal mesmo; Os castigos eram pesados, inquisitoriais e as regalias eram poucas. Caía-se numa estúpida servidão. O homem transformava-se numa máquina de matar, com alguns momentos de prazer grosseiro, no intervalo das chacinas. Esses prazeres só contribuíam para o embrutecer ainda mais.
                Muitos arrependiam-se da precipitada resolução, depois de alistados, mas era tarde. Depois de aceite o contrato, por três ou cinco anos, era preciso cumpri-lo até ao fim, se uma bala libertadora não quebrasse o compromisso… Apanhados na odiosa armadilha, não podiam revoltar-se. Só havia um caminho; Aceitar resignadamente aquela vida, como pena que é preciso expiar. Mas coisa curiosa e paradoxal! Muitos deles, quando expirava o prazo do contrato, quando podiam enfim libertar-se, voltavam a contrair novo contrato. E por mais uns anos, repetiam as lamentações conta aquela vida de cão, contra as injustiças dos oficiais, conta a fatalidade de um destino que afinal eles próprios tinham procurado. Os homens terem destas irónicas e paradoxais atitudes.
               


Pajovi   Abril 2013
                 

quinta-feira, 14 de março de 2013

A FÉ E A REALIDADE DA VIDA


Isaías 26:3-6
“Tu guardarás em perfeita paz aquele cujo propósito está firme, porque em ti confia. Confiem para sempre no Senhor, pois o Senhor, somente o Senhor, é a Rocha eterna. Ele humilha os que habitam nas alturas, rebaixa e arrasa a cidade altiva, e a lança ao pó. Pés as pisoteiam, os pés dos necessitados, os passos dos pobres.” 

        Quais são as expectativas que temos de Deus diante dos acontecimentos ao nosso redor? Muitas pessoas vêm à igreja esperando receber o que Deus nunca prometeu.
             A experiência dos cristãos não se baseia na ideia que muitos têm de como deveria ser a vida do cristão. É preciso entender que o bem-estar verdadeiro não deve estar totalmente voltado para as circunstâncias externas. Se você pensa que a verdadeira fé significa ter certeza que tudo ocorrerá de forma favorável aos seus planos, provavelmente você está próximo de uma decepção espiritual. A maturidade cristã depende da maneira como compreendemos o que é realmente a fé, diante dos ganhos e percas da vida. Qual a base para o desenvolvimento da fé genuína?
          As pessoas de uma maneira geral vêem o conceito de felicidade, como sendo a ausência de factos ou situações desconfortáveis e a presença de tudo que lhes dão prazer e conforto. Assim, muitos cristãos acham que a fé verdadeira tem que estar de acordo com esse parâmetro. Imaginam a fé como se ela pudesse levar Deus a agir como eles acham que deve ser. Conforme esse padrão de felicidade e fé, podemos concluir que quase não há pessoas felizes e fervorosas na Bíblia. No entanto, os exemplos bíblicos que mostram fé e felicidade desta forma são de pessoas que estavam em crise espiritual, revelando assim a sua imaturidade no relacionamento com Deus. Chegaram até a considerar em vão a sua experiência espiritual.
Salmo 73:1-3 e 13 “1- Certamente Deus é bom para Israel, para os puros de coração. 2- Quanto a mim, os meus pés quase tropeçaram; por pouco não escorreguei. 3- Pois tive inveja dos arrogantes quando vi a prosperidade desses ímpios. 13- Certamente foi-me inútil manter puro o coração e lavar as mãos na inocência.  Assim, é preciso analisar a relação da fé com as adversidades.
          São vários os exemplos bíblicos de pessoas com genuína fé em Deus. Curiosamente, porém, quase nenhumas delas viveram sem passar por circunstâncias difíceis. A galeria dos heróis da fé em Hebreus 11, bem poderia ser chamada de galeria dos que “aprenderam a viver contentes em toda e qualquer situação.”
Filipenses 4:11. Não estou dizendo isso porque esteja necessitado, pois aprendi a adaptar-me a toda e qualquer circunstância”.  O apóstolo Pedro aconselha-nos a não estranharmos “o fogo ardente... Destinado a provar-vos”. I Pe 4:12-1412- Amados, não se surpreendam com o fogo que surge entre vocês para os provar, como se algo estranho lhes estivesse acontecendo. 13- Mas alegrem-se à medida que participam dos sofrimentos de Cristo, para que também, quando a sua glória for revelada, vocês exultem com grande alegria. 14- Se vocês são insultados por causa do nome de Cristo, felizes são vocês, pois o Espírito da glória, o Espírito de Deus, repousa sobre vocês”.  O cristão não deve ser conformista ou masoquista diante dos problemas, mas deve encará-los como oportunidades para mostrar o que a fé tem de melhor. É nesse sentido que Jesus disse que não veio trazer paz à terra, porém espada.

           Como é que o cristão deve encarar as dificuldades que o cercam? Elas existem na vida do cristão porque lhe falta fé suficiente?
           Você consegue associar as adversidades com o contexto do conflito entre Deus e satanás? Quem é o causador e quem permite? Por quê?

             O profeta Habacuque revela que a fé nos enleva a uma atmosfera onde a alegria verdadeira tem uma única fonte que é Deus. Hb 3:17-19
”17-  Contra quem Deus esteve irado durante quarenta anos? Não foi contra aqueles que pecaram, cujos corpos caíram no deserto? 18- E a quem jurou que nunca haveriam de entrar no seu descanso? Não foi àqueles que foram desobedientes? 19- Vemos, assim, que foi por causa da incredulidade que não puderam entrar”. Ele sabia por experiência própria que a alegria vinda de Deus não depende de circunstâncias. Por isso Jesus diz em: João 15:11Tenho lhes dito estas palavras para que a minha alegria esteja em vocês e a alegria de vocês seja completa”.  O cristão aprende a olhar para além das nuvens escuras na certeza de que o Sol logo voltará a brilhar. Considere isto: Qual foi a sua reacção diante da última crise que enfrentou? 

O apóstolo Paulo dá-nos um excelente conselho:
Rom: 12:12 “Alegrem-se na esperança, sejam pacientes na tribulação, perseverem na oração”. Este conselho mostra-nos a base para experimentarmos a real maturidade cristã. Para termos paciência diante das adversidades e nos alegrarmos na esperança, precisamos ser perseverantes na oração. Isaías divisou o tempo quando a alegria será eterna e os eventos serão somente para a satisfação dos remidos. Is 35:10 “E os que o Senhor resgatou voltarão. Entrarão em Sião com cantos de alegria; duradoura alegria coroará suas cabeças. Júbilo e alegria se apoderarão deles, e a tristeza e o suspiro fugirão”.  Devemos viver com esta convicção. A genuína fé é caracterizada não por acharmos que a confiança poderá mudar os planos de Deus e que tudo aconteça como queremos, mas sim pela capacidade de esperar sempre n´Ele.
          A nossa vida de comunhão com Deus tem sido suficiente para desenvolver paciência diante das tribulações? Se não, como podemos melhorar?

         “Um homem cujo coração se firme em Deus, será na hora de sua maior prova o mesmo que era na sua prosperidade, quando a luz e o favor de Deus e do homem incidiam sobre ele. A fé alcança o invisível e apega-se a realidades eternas.


Pajovi

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Morreu o nosso animal de “estimação “ou seria o nosso melhor amigo?


Hoje dia 27 de Fevereiro de 2013 às 14:00 hr. morreu a nossa cadela Rottweiler, tinha 13 anos,  chamava-se Kalli Xaida e fazia o favor de morar connosco e ser uma grande amiga de toda a família.
Sempre convivi com animais e sempre os tive cá em casa, desde cães, gatos, pássaros, peixes etc.… mas nunca tinha convivido com um animal como este. A sua presença constante e carinhosa para toda a família sem excepção, o seu carinho a sua preocupação connosco (não, não é exagero), ela sabia qual era o nosso estado de espírito  se estávamos tristes se estávamos alegres, ela sabia e estava sempre lá a compartilhar connosco. Que ninguém me diga alguma vez, que os Rottweiler são cães perigosos, alguns “donos” sim, são perigosos e não deveriam de ser autorizados a ter um tão extraordinário animal. Durante estes anos que convivi com a minha cadela sempre a acompanhei em passeios na rua, no jardim ou na praia, nunca ela usou açaime e também nunca ela se mostrou agressiva, para nenhuma pessoa ou animal, mesmo quando provocada, sempre altiva no seu porte superior. Era um animal lindo e imponente, era maior que qualquer macho entre os que conheci e foram bastantes. A sua morte está a ser difícil de superar e estou a lidar bastante mal com ela. Mas terei sempre a lembrança da sua presença e do seu carinho.

Deixo alguns conselhos para quem está a passar por algo parecido. Espero ajudar.

"A morte de um animal de estimação pode ser extremamente doloroso para o seu dono, pode mesmo ser um acontecimento marcante e que provoca uma enorme dor a quem, durante anos e às vezes décadas, cuidou deles."

Como Lidar com a dor
“É muito importante lembrar-se que amor é amor e que amar um animal de estimação não é diferente de amar uma pessoa, que quando perdemos um animal, apetece-nos chorar. Os seus sentimentos não são errados, e precisará de tempo para lidar com a sua dor. Não tente minimizar os laços que partilhava com o seu animal, independentemente do que as pessoas digam ou pensam. Não apresse o esquecimento do seu animal de estimação.”

Cuide de si
“Perder alguém que amamos pode ser exaustivo, emocional e fisicamente. Quando estamos a lidar com a dor é importante comermos bem e dormirmos bem. A curto prazo, ficaremos mais fortes se olharmos pela nossa saúde agora. Alimente-se com boa comida. Não tenha medo de contar ao seu médico se não estiver a conseguir voltar ao normal.”

Evite as pessoas que dizem: “Era só um animal de estimação”.
“Sabe que tipo de pessoas são estas? São as pessoas que nunca realmente perceberam a ligação que existia entre você e o seu animal. Muitas vezes, elas querem ajudar, mas o mais provável é que estas frases de conforto apenas o façam sentir pior. Se não conseguir evitar estes comentários, ainda que bem-intencionados, tente ignorá-los ou mudar de assunto.”

Procure apoio
“Esta é uma boa altura para ligar a um amigo. Os seus amigos que gostam de animais de estimação irão entender a situação pela qual está a passar e estarão lá por si. Não seja tímido em falar com as pessoas que gostam de si e que oferecerão ajuda. Peça ajuda, se precisar, mesmo para tarefas comuns: pegar nos objectos do seu cão, por exemplo. Se precisar de ajuda para além de um amigo, o seu veterinário pode ajudá-lo a encontrar grupos de pessoas que ajudam a suportar a dor de perder um animal de estimação.”




KALLI XAIDA    até sempre

Pajovi




domingo, 17 de fevereiro de 2013

Carta aberta a um grande Homem com dúvidas e problemas!



O problema que estiver a atravessar enfrente-o. Não fique a dar voltas, fingindo que ele não existe. Se o problema existe, é para ser resolvido. Se for grande demais, vá resolvendo parte por parte, até que ele fique mais pequeno a cada dia que passa. Dê atenção especial a todos os que são gentis e amáveis consigo, com certeza receberá gentileza também. Mas não se esqueça de que nem todos os dias são bons para todos. Dê à sua paciência, à sua compreensão e ao seu raciocínio todo fôlego que eles precisam. Pense duas vezes se tiver que engolir algum "sapo". Lembre-se, ele pode ser indigesto demais. E, mesmo que hoje o seu dia seja bastante atarefado, não se esqueça de deixar alguém feliz, mandando um olá a quem quer bem, às pessoas de quem realmente gosta. Talvez amanhã o seu dia seja muito mais ocupado que hoje, por isso faça-o agora mesmo, não guarde para amanhã.
Tudo que você faz, faz com carinho e muita atenção, visando o bem do próximo, pode ter um retorno para si mesmo.
É bom ver que a esperança de dias cada vez melhores está em si mesmo, em tudo que faz. Vale a pena acreditar no sucesso e ter esperança no futuro. Existem pessoas iguais a si, e graças a Deus por isso, pois precisamos cada vez mais de pessoas que dêem de si ao mundo, para que exista progresso e crescimento da humanidade. Tenho a certeza de que assim como você, que é um grande profissional, existirão muitos mais que se assemelhem à sua pessoa. É bom saber da sua existência, poder trabalhar ao seu lado e conhece-lo como conheço.
Deus o abençoe pelo que é e faz por todos os que o rodeiam.
Desejo de todo o coração, que tenha um "lindo dia".


Pajovi


terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

ENVELHECIMENTO, SINÓNIMO DE SOLIDÃO?


Será que quando envelhecemos também ficamos mais sozinhos? Envelhecer implica solidão? Eu acredito que não, tudo depende de cada um de nós e da forma como encaramos a velhice.
A solidão pode e deve ser combatida, não só pela própria pessoa, mas também pela sociedade. Se a sociedade e a igreja criarem condições adequadas para o combate a este estigma, as pessoas terão de certeza absoluta alternativas à solidão. Será que estão as Igrejas evangélicas, a cuidar convenientemente dos seus velhos?
O ser humano é psicossocial, logo não acredito que se isole de ânimo leve e voluntariamente. Nunca devemos esquecer que solidão, não é sinónimo de isolamento. E este último pode ser auto imposto. Em qualquer dos casos há sempre muito a fazer. Não acredito que ao envelhecer ficamos mais sozinhos, quero acreditar que à medida que envelhecemos, vamos sim aprendendo a lidar com a solidão e a viver connosco próprios. Quando não conseguimos lidar, com uma imagem total de nós e da nossa relação com os outros, então acredito que seja nessa altura que se manifestam “os sintomas” da solidão. Sendo o ser humano um ser social, se não houver uma integração integral e adequada, da representação das relações e do que é a solidão, então nunca saberemos o que é sermos nós próprios, mesmo na presença dos outros.
Estudos indicam que os idosos devem permanecer no seio familiar o mais tempo possível, no entanto, com a sociedade actual, cada vez mais a institucionalização é uma das primeiras opções da maioria dos familiares. Será correcto? (Institucionalização é quando alguém está durante todo o dia entregue aos cuidados de uma instituição que não a sua família). Infelizmente em Portugal é assim que acontece, o idoso quase nunca tem o direito da última palavra nem da escolha, é muito mais simples institucionalizar quando começa a dar mais trabalho. Espero que tal não aconteça no seio das famílias e das Igrejas Cristãs. Existem outras alternativas de apoio aos idosos, sem que estes tenham de sair do seio familiar e social.
A partir do momento da reforma, na grande maioria das vezes, os idosos são descartados e considerados como inactivos e inúteis para a sociedade, sendo desta forma excluídos da mesma. Cabe a todos nós, em especial à comunidade cristã, mudar mentalidades e atitudes, com vista a uma inclusão social deste grupo que ainda tem tanto para oferecer.
De facto ser idoso não significa ser inútil. Ser idoso é apenas mais uma etapa deste ciclo, que é a nossa vida e passagem pela terra.
A grande maioria das pessoas com 65 anos ou mais, são ainda bastante activas e produtivas. De facto, se conseguirmos aproveitar o que de bom este grupo tem para oferecer, conseguiremos ter uma sociedade mais rica, não apenas em termos monetários mas principalmente a nível social e cultural.
Os jovens de hoje serão os idosos de amanhã, por isso se queremos ser respeitados amanhã, respeitemos hoje!

PAJOVI 

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

A IMPORTÂNCIA DA NOSSA VIDA


Existem duas ocasiões na vida, em que percebemos como uma pessoa é ou não, importante para as outras. Uma delas é quando morre.
Quando vou ao funeral de alguém, fico a pensar que se a pessoa que partiu, estivesse ali para ver como era amada e quantos estão ali por ela, essa pessoa saberia medir o vazio que  deixou, no seu ciclo de relacionamentos. Mas na morte, para quem partiu, essa demonstração é tardia demais.
Outro momento em que nos sentimos importantes é no dia do nosso aniversário. Hoje é o meu (25 DE JANEIRO). Claro, como quase todas as pessoas, o dia do nosso aniversário, é um dia muito especial. E para mim também se torna especial, não porque é o dia em que eu nasci, ou porque vai haver uma festa, ou porque vou ter algumas lembranças, mas por toda manifestação pública (ou particular) de carinho por mim.
Há um texto em 1ª João 4:12 que diz: “Ninguém jamais viu a Deus; se nos amamos uns aos outros, Deus está em nós, e em nós é perfeito o seu amor. Quando as pessoas manifestam o seu carinho por mim, é porque Deus está nelas e eu vivo duas emoções, o carinho da pessoa e a manifestação do carinho de Deus no meu coração.
E assim é com cada palavra de amor, escrita ou falada para mim hoje. E porque Deus está em cada um de vocês, eu sinto a manifestação do amor de Deus por mim. Vocês manifestam o vosso carinho por mim e Deus manifesta o amor d´Ele por mim. E isso repete-se, em cada sorriso que me é oferecido em amor. Em cada abraço, sinto a manifestação do Pai, através de cada pessoa, por causa do amor!
Hoje, quando abri o “facebook” e o meu e-mail, lá estavam as manifestações de carinho de todos os meus amigos e conhecidos. Ao ver isso hoje, no meu aniversário,  pude agradecer a Deus por poder estar a fazer aquilo que mais amo, que é servir a DEUS e às pessoas de uma maneira em geral, amigos, conhecidos e desconhecidos.
Hoje é um dia muito feliz. Pelos amigos que eu fiz ao longo da vida, pelo amor deles por mim e pelo amor de Deus, que se manifesta através de mim e através de cada um de vocês!
Obrigado Deus. Obrigado família e amigos. Obrigado à vida, ela é bela!

PaPajovi   QUELUZ, 25 Janeiro de 2013

sábado, 12 de janeiro de 2013

Biografia de Martinho Lutero - PARTE 3


Contra-Reforma

A Contra-reforma, liderada pela ordem dos jesuítas, reconquistou vários territórios que tinham aderido à Reforma. Não obstante, a doutrina, o culto e a piedade preconizados por Lutero se enraizaram na Alemanha, nos países bálticos, nos países escandinavos e na Finlândia. Através doutros reformadores, foram acolhidos na França, Inglaterra, Escócia e Países ' Baixos. Em todos estes países, a Reforma ocasionou extraordinário desenvolvimento cultural, nomeadamente na educação, ciência, economia e política. Pela emigração, os "Luteranos" se espalharam por todos os continentes. Contam, hoje, cerca de 70 milhões. Frade, sacerdote, professor, doutor em Teologia, pregador considerado o primeiro de seu tempo, escritor vigoroso e de grande riqueza lexicografia, fixador da língua alemã, poeta e músico, Lutero abalou o mundo de seus dias e sobre ele se tem pronunciado. citado o juízo dos séculos.

Pronunciamentos sobre Lutero

O historiador Schaff diz que "este foi o maior homem que a Alemanha produziu e um dos maiores vultos da história". Goethe dá o seu testemunho nestes termos: 'Dificilmente compreendemos o que devemos a Lutero e à Reforma em geral. Ficamos livres dos grilhões da estreiteza espiritual (... ) compreendemos o cristianismo em sua pureza". .Heinrich -Heine, o poeta excelso, exclama: "Honra a Lutero, a quem devemos a reconquista dos nossos direitos mais sagrados, e de cujos benefícios vivemos hoje em dia. Através de Lutero adquirimos a liberdade religiosa. Criou a palavra para o pensamento. Criou a língua alemã, através da tradução da Bíblia": Dollinger, historiador católico liberal, diz: "Lutero deu aos alemães o que nenhum outro jamais dera a seu povo: a língua, a Bíblia, a hinologia..." É reconhecido c omo "pai da alfabetização". Dirigiu-se aos pais através de profusas publicações, encarecendo-lhe a escola e a educação dos filhos como necessidade inadiável, para a pátria e a igreja verem melhores dias. Um escritor moderno declarou: "A Lutero deve a Alemanha seu esplendido sistema educacional - em suas origens e concepções. Porque ele foi o primeiro a reclamar uma educação universal, uma educação do povo todo, sem consideração de classe". Deixou à posteridade, em sua fecundidade literária, dezenas de volumes contendo obras doutrinárias, apologéticas, exegéticas, homiléticas, pastorais e pedagógicas. Funck-Brentano, célebre historiador contemporâneo assim se expressa: "Qualquer que seja o julgamento formulado em torno da doutrina religiosa de Martinho Lutero, é preciso reconhecer nele uma das mais poderosas personalidades que o mundo conheceu. Sua energia, seu valor, sua poderosa ação - que decorriam em grande parte da intensidade de suas convicções - estão acima de todo elogio. Calculou-se que seriam precisos a um homem dez anos de vida para simples cópia das cartas, orações e inumeráveis escritos do reformador, e Lutero não só redigiu suas obras, mas pensou-as, deu-lhes estudo e reflexões, corrigiu-as, e isso entre ocupações múltiplas, quase sempre absorventes e das mais diversas, suas prédicas, sua atividade social e política, os cuidados e o tempo que consagrou aos antigos e à família" (Martim Lutero, pág. 22, Ed Veccki). Dezenas de testemunhos dessa natureza poder-se-ia acrescentar à sua pessoa. Os exemplos citados, porém, exemplificam o veredito sobre sua pesso e a obra deixada até os nossos dias atesta a sua grandiosidade.



ROSA DE LUTERO



Símbolos são figuras que expressam verdades e convicções. Uma Cruz, um Coração, uma Rosa Messiânica, um Fundo Azul e um Anel Dourado formam o BRASÃO DE LUTERO.
O coração se apega a Cristo, centro da fé e da vida cristã. A fé se reflete em alegria, consolação, paz e esperança, aguardando a realização das promessas de felicidade sem fim, que ainda serão cumpridas.
A ROSA DE LUTERO tornou-se um símbolo visual da REFORMA e do LUTERANISMO.
 

sábado, 29 de dezembro de 2012

Biografia de Martinho Lutero ( PARTE 2)


Primeiros Escritos

Em 1520 escreveu três livros fundamentais mostrando o antagonismo do sistema de salvação papal e o ensino bíblico: "À Sua Majestade Imperial e à Nobreza Cristã sobre a Renovação da Vida Cristã",- "Sobre a Escravidão Babilônica da Igreja" e "Da Liberdade Cristã" ' Alguns de seus pensamentos-chave aí registrados são estes: - "0 cristão é um livre senhor sobre todas as coisas e não submisso a ninguém - pela fé"; "o cristão é servidor de todas as coisas e submisso a todos - pelo amor". "Não fazem as boas obras um bom cristão, mas um bom cristão faz boas obras".

Excomunhão

A resposta do Papa foi a bula de excomunhão Exsurge Domine. Tinha ainda 60 dias para retratar-se do que havia escrito e ensinado. Em 03 de janeiro de 1521 esgotou-se o prazo dado na bula, sendo então proferido o anátema definitivo, pela bula Decet Romanum Pontificem.

Dieta de Worms

Em 1521 reunia-se a primeira Dieta ou Assembléia do império, presidida pelo jovem imperador Carlos V, eleito em 1520, em sucessão a Maximiliano, para dirigir o reino "em que o sol não se punha". Lutero, intimado, compareceu diante da assembléia em 17 e I S de abril de 15 2 1. Perguntado se renunciava ao que tinha escrito, respondeu: "Não posso, nem quero retratar-me, a menos que seja convencido do erro por meio da palavra bíblica ou por outros argumentos claros. Aqui estou; não posso de outra maneira! Que Deus me ajude. Amém".

Tradução do Novo Testamento

Proscrito pelo imperador, foi posto em segurança pelo duque Frederico, através de um seqüestro simulado de cavaleiros embuçados, durante sua viagem de retomo, e escondido no Castelo de Wartburgo, nas proximidades de Eisenach. Sua principal realização nesse período foi a tradução do Novo Testamento grego para um alemão fluente de grande aceitação popular. Os primeiros 5 mil exemplares esgotaram-se em 3 meses. Em cerca de dez anos houve 58 edições. Em 1522, com risco de vida, reassumiu as funções de professor em Wittenberg. Juntamente com Felipe Melanchthon (cognominado Praeceptor Germaniae - educador da Alemanha), seu grande amigo e colaborador, instruiu centenas de estudantes alemães, boêmios, poloneses, finlandeses, escandinavos.

Guerra dos Camponeses

Marcou o ano de 1525 a Guerra dos Camponeses - uma revolução armada em que os camponeses, sob federação, reivindicaram mais liberdade aos latifundiários. Em seus objetivos políticos sociais idealizaram Martinho Lutero como chefe. Confundiram reivindicações políticas com aspirações religiosas. Lutero, embora compreendendo suas necessidades, viu-se forçado a distanciar-se do movimento porque não era política a missão dele. A carnificina, com batalha final em Frankenhausen, trouxe prejuízos ao movimento da Reforma. Mas esta, a despeito de todos os abusos praticados em seu nome, se expandia. Lutero procurava consolidar as igrejas e escolas que haviam aderido à Reforma em território alemão e países vizinhos. Neste mesmo ano (I 525) casou-se com uma ex-freira, Catarina de Bora, de cujo casamento lhes nasceram 6 falhos.

Culto e Liturgia

De 1527 a 1529 esteve empenhado na organização da Igreja Evangélica. Compositor e poeta, compôs trinta e sete hinos. Cabe-lhe a celebridade de popularizar o Lied eclesiástico. Era também conhecido como o "Rouxinol de Wittenberg". Traduziu a ordem da missa para o alemão - Deutsche Messe 1526 - a partir do que os cultos passaram a ser celebra. dos na língua do povo, e não no latim que ninguém entendia.

Os dois Catecismos

Em 1529 redigiu dois manuais de instrução, até hoje em uso nas igrejas luteranas: "Catecismo Menor" e "Catecismo Maior" Os dois volumes apresentam, em seis partes, um sumário da doutrina cristã. O primeiro é escrito, especialmente, para as crianças; o segundo, para os pais. Justificando, o Reformador afirma: "A lamentável e mísera necessidade experimentada recentemente, quando também fui visitador, é que me obrigou e impulsionou a preparar este Catecismo ou doutrina cristã nesta forma breve, simples e singela. Meu Deus, quanta miséria não vi! O homem comum simplesmente não sabe nada da doutrina cristã, especialmente nas aldeias". Numa outra oportunidade afirma: "Eu também sou doutor e pregador, e, na verdade, tenho de continuar diariamente a ler e estudar, e ainda assim não me saio como quisera, e devo permanecer criança e aluno do Catecismo".

Somente a Escritura

No mesmo ano realizou-se, no mês de outubro, um encontro entre Ulrico Zwínglio e Lutero para um debate doutrinário, denominado Colóquio de Marburgo, urna controvérsia eucarística. O pregador Zwínglio, que vivia na Suíça, também reconhecera a apostasia da igreja romana, pregai)do a Palavra e testemunhando contra as indulgências. Diferia, no entanto, da doutrina de Lutero e a discrepância básica resumia-se na pergunta: Os artigos de fé devem basear-se exclusivamente na Palavra de Deus ou também na razão humana? Não chegaram a um acordo, visto que a resposta de Lutero não admitia dúvida: A Escritura, e nada além dela, é fonte de artigos de fé, como também, mais tarde, a Fórmula de Concórdia o expressa: "Cremos, ensinamos e confessamos que somente os escritos proféticos e apostólicos do Antigo e do Novo Testamento são a única regra e norma segundo a qual devem ser ajuizadas e julgadas igualmente todas as doutrinas e todos os mestres".

Confissão de Augsburgo

Auxiliou o duque João Frederico a delinear sua estratégia em relação à Dieta de Augsburgo (l53O), convocada Pelo imperador para superar o cisma- Acompanhou a redação, por Felipe Melanchthon, duma defesa oficial, que veio a chamar-se Confissão de Augsburgo.

O documento - a primeira e mais notável das confissões evangélicas - foi lido em público à assembléia imperial, em nome de príncipes e cidades partidárias da Reforma, a 25 de junho de 1530. Era Composto o documento de duas partes: uma, dogmática; outra, apologética. Argumentavam na Confissão que, quanto à doutrina, continuavam fiéis ao que a igreja vinha ensinando à base das Escrituras Sagradas, conforme os Credos Apostólico e Niceno; com respeito ao culto, mantinham os ritos antigos consentâneos ao evangelho, cancelando apenas aqueles costumes, ritos e cerimônias que obscureciam a glória de Jesus Cristo como o único Mediador entre Deus e Os homens. Reivindicaram, por conseguinte, o direito de conviver em Paz com o papa e os bispos no seio da igreja do império. O imperador, ouvida a Confissão, determinou que os teólogos de Roma elaborassem a Confutação Católica à confissão de Augsburgo. A 03 de agosto fez-se a leitura desta. Não terminava ainda a apresentação de confissões religiosas, e Lutero e Melanchthon responderam à Confutação com a Apologia da Confissão de Augsburgo, de alto valor teológico, mas da qual a Dieta não quis tomar conhecimento. A Dieta lhes concedeu o prazo até 15 de abril de 1531 para voltarem ao seio da igreja romana e exigiu rigoroso cumprimento do Édito de Worms. Embora desaconselhados por Lutero, constituiu-se em fevereiro de 1531 uma poderosa agremiação política dos príncipes luteranos, denominada "Lida de Esmalcalde". Porém, em vista do perigo dos turcos às portas do império, em Viena, o imperador dependia do auxilio militar dos príncipes evangélicos; por isso, pela Paz de Nüremberg, para a qual Lutero muito contribuiu, em 1532, permitiu aos adeptos da Confissão de Augsburgo a persistirem nas suas doutrinas e concedia-lhes ainda outros privilégios. Essa tolerância seria dada até a realização de um concílio da igreja.

Tradução do Antigo Testamento

Não houve, assim, apesar dos esforços, uma maneira de restabelecer a unidade na igreja e no império. Em 1534 Lutero terminava uma tarefa em que havia trabalhado mais de 10 anos: a tradução do Antigo Testamento para o alemão. No mesmo ano pode-se publicar, então, a Bíblia completa. Em 1536 Lutero redigiu, por solicitação do duque João da Saxônia, artigos para serem apresentados num "Concilio geral livre" convocado pelo Papa. Os Artigos de Esmalcalde, porém, não chegaram a ser apresentados. Os líderes evangélicos concluíram que o concilio não seria livre e se negaram a participar do Concílio de Trento (l545 - 1563), que desencadeou a contra-reforma, no pontificado de Paulo III.

Paz de Augsburgo

A Paz de Augsburgo, em 1555, atendeu, de certa forma, aos reclamos dos evangélicos. Substituiu a tolerância religiosa nestes termos: os príncipes e cidadãos do império respeitariam a filiaçao religiosa de cada um, e o povo teria a opção de adotar a confissão religiosa do respectivo domínio ou de emigrar a território que tivesse a confissão desejada.
Martinho Lutero faleceu aos 62 anos de idade, em 18 de fevereiro de 1546, em sua cidade natal, Eisleben, depois de solucionar um litígio entre os condes de Mansfeld. Com grande cortejo fúnebre e ao som de todos os sinos, Lutero foi sepultado sob as lajes da igreja do Castelo de Wittenberg, onde sempre pregava o evangelho.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Biografia de Martinho Lutero

PARTE 1

Martinho Lutero nasceu a 10 de novembro de 1483 no centro da Alemanha, em Eisleben, Turíngia/Alemanha. Seus pais, João e Margarida, eram pobres - João era mineiro e lenhador - porém não iletrado, de modo que puderam dar-lhe boa orientação educacional. Visando a melhorar a vida econômica, fixaram residência, em 1484, em Mansfeld, onde Martinho iniciou seus estudos. Terminando o curso da escola daquela localidade, então com 14 anos, deixou a casa paterna e ingressou na escola superior de Magdeburgo. Depois de um ano ali, teve que retornar à casa paterna acometido de grave enfermidade, indo por esta razão, no ano seguinte, estudar em Eisenach. Três anos cursou o colégio de Eisenach. Em 1501 ingressava na Universidade de Erfurt, cidade conhecida como "Roma Alemã" pelo número de suas igrejas e mosteiros. Obteve ali os graus de Bacharel (1502) e Mestre em Arte (1505). No mesmo ano ingressou no curso de Direito.

Este, porém, foi interrompido visto que, a 02 de julho de 1505, regressando da casa paterna, teve sua vida seriamente ameaçada por uma tempestade que, por pouco, lhe tirara a vida. Fez, nesta oportunidade, um voto a Sant’ana que, se lhe fosse dado viver, ingressaria no mosteiro para tornar-se monge. No dia 17 de julho de 1505 as portas do convento da Ordem dos Agostinhos fechavam-se atrás dele.

Sacerdote

Em fevereiro de 1507 foi ordenado sacerdote. Vivia, no entanto, em completo desespero, buscando, dias e noites a fio, em tremendos tormentos espirituais, resposta à pergunta: "De que maneira conseguirei um Deus misericordioso?" Reconheceu muito logo que jamais seria possível obter certeza de sua salvação mediante boas obras, pela impossibilidade de saber se são suficientes, mormente em se tratando de uma alma de consciência extremamente sensível.

Professor

Por indicação do vigário da ordem, João de Staupitz, que reconhecia em Lutero urna erudição e inteligência incomuns, Lutero foi designado professor na Universidade de Wittenberg, fundada em 1502 por Frederico, o Sábio, duque da Saxônia e presidente dos sete eleitores civis que, juntamente com sete autoridades religiosas, elegiam o imperador do Sacro Império -Romano da Nação Alemã. Ocupou ali a cadeira de Teologia. Continuou também seus estudos, instruindo-se principalmente nas línguas gregas e hebraica. A 09 de março de 1509 obteve o grau de Baccalaureus Biblicus.

Viagem a Roma 

Em 1511, então com 28 anos, foi enviado em missão diplomática a Roma, para solucionar uma divergência entre sete conventos de sua Ordem e o vigário geral da mesma. A corrupção, imoralidade, as zombarias, o desrespeito do clero e da cúpula da igreja para com as coisas sagradas marcaram nele uma profunda decepção. Embora profundamente entristecido, as esmagadoras desilusões sofridas não o levaram a descrer de sua igreja.

Doutor em Teologia

Em outubro de 1512, recebia, das mãos do decano da faculdade de Teologia, o grau de Doutor em Teologia. Assumiu, a seguir, a cadeira de Lectura in Bíblia lecionando, à base das línguas originais, o hebraico do Antigo Testamento e o grego do Novo Testamento, incorporando conquistas do humanismo na ciência da interpretação de textos. Ainda em 1512, foi eleito subprior do convento de Wittenberg. Em maio de 1515, o cabido geral reunido em Gotha o designava vigário do distrito, que compreendia onze conventos sob sua orientação e autoridade.

Preleções

As suas preleções eram tão concorridas que a elas acorriam estudantes de todas as partes e países vizinhos. Os professores assistentes também aumentavam. O reitor da Universidade chegou a declarar, como que em antevisão: "Este frade derrotará todos os doutores; introduzirá uma nova doutrina e reformará toda a igreja; pois ele se funda sobre a palavra de Cristo, e ninguém no mundo pode combater nem destruir esta Palavra..." (Melchior, Adam. Vita Lutheri, p. 104). Ocupando o púlpito, a capela logo não mais podia comportar os assistentes. O senado o convidou então a ocupar a igreja paroquial da cidade.

Justificação pela fé

Nos seus conflitos espirituais, o texto bíblico que lhe trouxe a luz da verdade e a paz de consciência veio a ser a célebre passagem da Epístola aos Romanos (1.17), em que o apóstolo cita o profeta Habacuque: "0 justo viverá por fé" Viu que São Paulo fazia do sacrifício de Cristo o centro da verdade em religião. Seus pecados, angústias, sofrimentos haviam caído sobre os ombros de Cristo na cruz; Cristo fizera o que ao pecador teria sido impossível fazer com suas penitências e méritos pessoais.

As Teses

Em 1517, Lutero quis provocar um debate público sobre a venda de indulgências promovidas pelo Papa Leão X e o arcebispo Alberto de Mogúncia através da Ordem dos Dominicanos. Quando pregou à porta da Igreja do Castelo de Wittenberg, em 31 de outubro de 1517, o pergaminho com as 95 teses em latim para serem debatidas entre os acadêmicos, conforme o costume da época, não desejava desencadear um movimento na história da igreja. Era o pároco que, com preocupado, via como as almas dos fiéis eram desnorteadas por um grande escândalo, descaradamente apregoado em nome da santa Igreja: a venda do perdão de Deus, como se fosse mercadoria, por meio de cartas de indulgência, cujo lucro se destinava ao término da basílica de São Pedro e à cruzada contra os turcos. Seu principal proclamador era o dominicano Tetzel. Eis algumas das teses apresentadas por Lutero: - Dizendo nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo: Arrependei-vos... etc., pretendia falar da vida interior do cristão que deveria ser um contínuo e ininterrupto arrependimento (Tese I) - Pregam futilidades humanas quantos alegam que no momento em que a moeda soa ao cair na caixa a alma se vai do purgatório (Tese 27) - Todo o cristão que se arrepende verdadeiramente dos seus pecados e sente pesar por ter pecado, tem pleno perdão da pena e da dívida, perdão esse que lhe pertence mesmo sem breve de indigência (Tese 36) - Esperar ser salvo mediante breves de indulgência é vaidade e mentira, mesmo se o comissário de indulgências e o próprio papa oferecessem sua alma como garantia (Tese 52) As proposições sobre as indulgências eram completadas por algumas outras, que continham o que viria a ser fundamental na doutrina luterana: - Aos olhos de Deus, não há na criatura senão concupiscências; - Ninguém se salva senão pela graça de Deus através da fé. O efeito dessas teses foi tão inesperado, que elas não ficaram entre os letrados; traduzidas ao alemão, em poucas semanas se espalharam por toda a Alemanha e outras partes da Europa, chegando ao conhecimento do povo em geral.

Reação de Roma

Em 1518, Roma tratou de liquidar o caso do monge de Wittenberg. Lutero foi chamado para responder processo em Roma, dentro de sessenta dias. Mas, por interferência de Frederico, o Sábio, Príncipe da Saxônia, o Papa consentiu que a questão fosse tratada em Augsburgo, pelo Cardeal Cajetano. Este exigia simplesmente que Lutero se retratasse, o que este, naturalmente, não fez. Tinha Lutero nessa época o apoio do capítulo da Ordem dos Agostinhos e do corpo docente da Universidade de Wittenberg. Cajetano declararia depois dos três encontros com Lutero: "Ele tem olhos que brilham, e raciocínio que esconcertam".
O Papa temia suscitar oposição cerrada entre os príncipes alemães. Valeu-se, para que isso não acontecesse, da diplomacia. Condecorou o protetor de Lutero, Frederico, o Sábio, com a "Ordem da Rosa Áurea da Virtude" para afastá-lo de Lutero, e enviou o conselheiro Karl von Miltitz. Este conseguiu, com brandura, queLutero escrevesse uma carta ao papa, declarando sua fiel submissão; mas reafirmou, também, sua doutrina da justificação pela fé somente, sem os méritos de obras. Expôs e defendeu sua posição num debate com o Dr. João Eck em Leipzig. O que precipitou o rumo das coisas foi sua declaração de que nem todas as doutrinas de João Hus (queimado como herege em Constança, em 1415) eram falsas, e que os concílios são passíveis de erros em suas decisões. Isto o colocou à margem da igreja papal, que se fundamentava sobre a infalibilidade do papa e dos concílios.



quinta-feira, 8 de novembro de 2012

HISTÓRIA DAS ASSEMBLEIAS DE DEUS EM PORTUGAL

PARTE 1


O Movimento das Assembleias de Deus iniciou-se no ano de 1913 com a chegada a Portugal do missionário José Plácido da Costa, cidadão português emigrado no Brasil, país onde aceitou a mensagem pentecostal após contacto com os primeiros missionários pentecostais aí chegados, os cidadãos suecos Daniel Berg e Gunar Vingren, com os quais passou a trabalhar de forma intensa na divulgação do evangelho.
Entretanto, José Plácido da Costa decidiu deslocar-se a Portugal, tendo desenvolvido a sua actividade missionária na cidade do Porto e em Valezim. Passado algum tempo, regressou ao Brasil donde só voltaria, de novo, no ano de 1930.
Decorria o ano de 1921 quando o trabalho evangélico de matriz pentecostal começou a tornar-se visível e a estabelecer-se sólida e definitivamente em Portugal por acção do missionário José de Matos Caravela, também ele cidadão português emigrado no Brasil e que regressou ao seu pais de origem, precisamente nesse ano de 1921.
O trabalho missionário de José de Matos iniciou-se na Beira Alta e Beira Litoral, com alguns resultados. Depois, em 1923, deslocou-se para o Algarve onde fundou várias igrejas pentecostais, especialmente em Portimão, Lagos e Silves.
Em resultado da acção missionária de José de Matos, a primeira igreja Assembleia de Deus foi fundada na cidade de Portimão, em 1924. Mais tarde, esse valoroso servo de Deus iniciou outras igrejas fora do Algarve, como as de Santarém e Alcanhões.

Pajovi

A IMPORTANCIA DA NOSSA VIDA

  Existem duas ocasiões na vida, em que percebemos como uma pessoa é ou não, importante para as outras. Uma delas é quando morre. Quando vo...