domingo, 21 de julho de 2013

AVENTURAS DE DOIS AMIGOS – PARTE 4

No dia seguinte era Domingo e, conforme afirmara Paulo Lopes – espécie de agente de ligação daquela pequena conspiração – deviam reunir-se os três para darem os últimos retoques no plano de fuga.
            Tinham a tarde livre e, além disso, haviam pedido dispensa de recolher, o que lhes dava uma apreciável liberdade de acção.
            O argentino conduzira Rogério à cantina, onde, dizia, Alexandre devia juntar-se a eles pelas dezasseis horas. Para o belga era quase uma honra entrar na intimidade do cabo Alexandre, cuja sabedoria o enchia de admiração e de timidez. Ia ombrear com aquele homem misterioso, ser tratado de igual para igual por alguém que, segundo se dizia na Companhia, poderia ser tudo e se deixava ficar modestamente na sombra de um quase anonimato.
            Estava um tempo magnífico, talvez demasiado quente. Mas os soldados estavam habituados ao calor africano.         De quando em quando, um sopro escaldante vinha do deserto, como um hálito de fogueira. Trilhando as ruas de Dar-Riffien, que principiava a tomar forma de cidade, depois de ter sido um aglomerado de barracas e barracões, Paulo Lopes não parava de falar sobre a grande aventura, que os iria arrancar, a eles, homens de acção, à monotonia daquela vida, onde morriam lentamente de tédio.
            Rogério escutava-o, embalado na música daquelas palavras que despertavam na sua alma o aventureiro que, depois de ter procurado o perigo de Marrocos, principiava a adormecer nos ócios da paz. O argentino afirmava que Alexandre também tinha as suas ideias sobre o assunto e, Rogério ia ter ensejo de expor as suas.
            O belga ficou um pouco atrapalhado. Não tinha ideias para dar. Embora Lopes andasse, nos últimos tempos, a incitá-lo à fuga, o certo é que apenas se decidira no dia anterior. Até então, mal pensara nos meios a empregar para pôr em prática um plano daquela natureza. Não queria saber dos planos. Descansava plenamente no Lopes e no Alexandre. Eles tinham imaginação para essas coisas; que as pusessem a trabalhar. Limitar-se-ia a executar o que lhe ordenassem.
            Naquele momento, com tremendo calor de Junho, que o fazia suar por todos os poros, só lhe apetecia uma cerveja bem fresca.
            - E eu bebo outra! – Concordou o argentino, tomando-o pelo braço e arrastando-o para o interior da cantina.
            Com grande surpresa sua, encontraram Alexandre já abancado a um canto, perante um “bock” espumoso. Na sala, havia mais alguns camaradas, mas, como de costume, o misterioso cabo procurava o isolamento.
            O argentino, numa expressão bem meridional, alçou os braços no ar, num espanto.
            - “Hombre”!- Exclamou – Chegaste com uma hora de avanço!
            Alexandre sorriu, estendendo-lhe silenciosamente a mão, que o argentino apertou com violência. Rogério cumprimentou-o, cheio de respeito.
            Abancaram. Uma “Camarera” mais pintada que um palhaço chegou-se ao grupo, na esperança de uma lambarice. – Vamos ver quem é o herói capaz de me pagar um refresco! – Exclamou ela, procurando ajeitar-se para tomar lugar entre Rogério e Paulo. Este teve, porem, um gesto de impaciência e afastou-a. – Desampara-nos a loja! – Pronunciou ele, de sobrolho carregado. – Temos assuntos muito importantes a tratar. – Ah! Não sabia que vocês pertenciam ao Estado-Maior – Replicou a rapariga. – Vão acertar o plano da próxima campanha… - O nosso plano é mais importante do que pensas – tornou o argentino, de mau modo. A “Camarera” afastou-se, resmungando e, foi exibir as suas graças junto do grupo que, no lado oposto, já parecia bem animado, pois tinha a mesa cheia de copos e garrafas. Ma não deixava de deitar olhares desconfiados aos três legionários.
            Sorvidos os primeiros goles de cerveja, logo o Lopes se inclinou para a frente e começou a cochichar sobre o assunto que o obcecava; A deserção.
            Alexandre ouviu em silêncio. Depois dirigindo-se a Rogério, perguntou-lhe: - Que dizes a isto, camarada? O rapaz corou como qualquer donzela, encolheu ligeiramente os ombros e replicou; - Estou disposto a segui-los, para a vida e para a morte… Já dei ontem a minha adesão.
            O outro pareceu ficar contente com aquela resposta e, apoiando-o lentamente com a cabeça, disse; - gosto desse espirito resoluto. Na verdade, a aventura em que nos vamos meter não é brincadeira. Não se trata de assaltar uma “cabila rifenha”. É coisa muito pior.
            Calou-se, com o olhar vago, como se, subitamente o seu pensamento fugisse para muito longe, lá para o Egipto remoto, que o argentino pensava em alcançar com facilidade. Pela maneira como falou, Rogério adivinhou logo nele o chefe, o homem capaz de conduzir a bom termo, aqueles que nele confiassem.
            Lopes começou a expor, entre dentes, pormenores do plano. Fugiriam disfarçados de mouros. Já assegurara três vestimentas brancas e as respectivas babuchas, por umas escassas moedas. O mercador árabe que lhas vendera prestara-se a guardá-las até ao momento em que decidissem utilizá-las. Era um homem recto, podia depositar-se nele um segredo como num túmulo.
            Por ele, ninguém saberia que utilizariam tal disfarce para fugir.



Pajovi   Julho  2013

sábado, 22 de junho de 2013

AVENTURAS DE DOIS AMIGOS – PARTE 3

            O Lopes, moreno como um mulato, olhos pretos fosforescentes, palavra fácil e ardente, gesto largo e enérgico, exercia uma espécie de fascinação sobre Rogério, grande menino louro de olhos azuis e infantis, que lhe bebia as palavras, lhe seguia os gestos e lhe escutava maravilhado os raciocínios.
            Foi ao belga que o argentino começou a assediar, em longas conversas, com propostas de fuga em que Rogério perguntava, infantilmente; Para onde iremos depois? Hombre! Exclamava o Paulo Lopes, muito exaltado. Uma vez livres deste inferno, cada um siga para as suas terras!
            Rogério ficava apreensivo. Parecia muito preocupado com o problema do rumo a tomar, depois de abandonar a Legião. Talvez não fosse a sua terra o ponto do globo que mais o seduzisse.
            Um dia, a um canto da cantina, onde a Concha, a cantineira, lhes servia generosamente uns copos de ”vermute” falsificado, Paulo Lopes confidenciou; Temos mais um companheiro para a abalada.
            Rogério lançou-lhe um olhar inquiridor. Paulo Lopes, fez a revelação; O Alexandre está disposto a partir connosco. Tive com ele uma conversa muito séria, sobre o assunto. Está resolvido a acompanhar-nos. Rogério parecia duvidar. Não foi sem certo trabalho que ele se convenceu, acrescentou o argentino. Alexandre afirmava que estava aqui muito bem. Mas teve de concordar comigo que, para levar vida de campónio por umas míseras pesetas, então antes em qualquer parte do mundo, onde a vida do campo renda coisa que se veja, sem a canga da disciplina militar que suportamos aqui. Visto não haver mais guerra, deviam licenciar-nos, pagando integralmente até ao fim do contrato. Não fariam nada de mais, que diabo! Arriscámos a pele, consolidámos o triunfo à Espanha. Agora, que não há perigo, que os marroquinos se foram abaixo, tragam para aí os paisanos, para colonizar isto!
            Então Alexandre decidiu-se a seguir connosco? Inquiriu Rogério, ainda na dúvida. Pois claro que acedeu. Afirmou o argentino. Já te disse; Mostrou-se hesitante, mas acabou por prometer acompanhar-nos. Temos de nos reunir amanhã os três, para afinar-mos os pormenores da fuga.
            Já tenho o meu plano traçado. Com mais umas ideias do Alexandre, que ele as tem sempre boas, a nossa fuga vai ser um êxito, acredita.
            Rogério ficou calado. Nem mesmo o facto de Alexandre, o mais valioso elemento da “Legião”, ter aderido ao empreendimento parecia comovê-lo ou dissidi-lo.
            Creio que, na companhia do Alexandre, nada há a temer – disse o Lopes. É um homem que sabe tudo, que resolve tudo. Vale por um batalhão.
            Sim o Alexandre vale muito – concordou o Rogério.
            Nesse caso, porque não te decides?
            O belga moveu, por momentos, os lábios sem emitir um som. Depois, tomando o fôlego, como se tivesse que proferir uma longa tirada, inquiriu: E para onde vai o Alexandre, depois de abandonar a “Legião”?
            Segue comigo para a Argentina – respondeu o outro – prometi arranjar-lhe um lugar em qualquer empresa do meu pai, em Buenos Aires.
            Hum… - resmungou o Rogério, entre dentes.
            Lopes olhou-o, por instantes. Em seguida, numa inspiração, perguntou: - Queres que te arranje também emprego na Argentina?
            Os olhos azuis do soldado encheram-se de uma grande claridade. A sua maior preocupação, ao que parece, não era o perigo de ser varado a tiro pelos perseguidores, nem as grandes caminhadas por terras desconhecidas – era o local seguro onde acolher-se, depois de abandonar a Legião Estrangeira. Dir-se-ia que aquele menino grande tinha medo de perder-se por esse vasto Mundo. As certezas de um destino, a promessa de um amparo, emprestavam-lhe outo ânimo.
            Mas perguntou ainda, com ar receoso: - E teremos possibilidades de atingir facilmente a Argentina?
            O pior é sair daqui - retorquiu o Lopes – Quando estivermos bastante longe da Legião, em território Inglês, que é o mais seguro, mando um telegrama ao meu pai, pedindo-lhe fundos. O que ele me remeter chegará certamente para fazer-mos a viagem, todos os três.
            Mas é difícil alcançar território inglês – Observou o Rogério – Só se conseguisse-mos atingir Gibraltar. A fuga por esse lado é quase impossível – replicou o argentino. – O caminho é muito exposto e está fortemente vigiado. Lembrei-me de alcançar o Egipto.
            Rogério soltou um assobio fino e murmurou: - É muito longe…
            Mas o Alexandre acha que é o mais seguro – Argumentou o argentino. E acrescentou: - Além disso, já tenho o meu plano para lá chegar. Teremos que atravessar território francês e italiano, onde não nos convém revelar a nossa proveniência, porque corremos o risco de ser entregues aos espanhóis. Mas já estudei o processo de passarmos sem sermos reconhecidos.
            Bueno – disse, por fim, Rogério. Conta comigo. Partirei quando quiseres. Mas não me faltes, depois, com um lugar na Argentina. Não me importo de trabalhar como vaqueiro.
            Paulo Lopes exultou com esta resolução e mandou vir mais uma garrafa de vermute falsificado, que lhes soube melhor que o autentico.
           



Pajovi   Junho  2013

quarta-feira, 29 de maio de 2013

AVENTURAS DE DOIS AMIGOS – PARTE 2

Entre os veteranos, contavam-se dois homens, no agrupamento, que ninguém sabia ao certo quem eram, nem de onde tinham vindo. Falavam correctamente o inglês, mas ninguém os supunha ingleses ou norte-americanos, dado a impossibilidade dos naturais destas nacionalidades se alistarem. Um deles, Alexandre. O mais velho franzino e nervoso, tez morena ou crestada pelo Sol africano, olhos castanhos penetrantes, face chupada e ossuda, devia ter entre trinta e cinco a quarenta anos. Já estava no agrupamento há oito anos. As balas fugiam-lhe, embora ele nunca se desviasse para lhes dar passagem.
                Quando lhe perguntavam qual a sua verdadeira nacionalidade, Alexandre sorria e encolhia os ombros. Inscrevera-se como checo, mas, um dia, confessara inadvertidamente a outro checo, com quem aliás falava sempre em alemão, que gostaria de visitar a República Checa. Contudo, os seus papéis eram Checos. Como checo o inscreveram no agrupamento as autoridades Espanholas. O seu nome, porém, era do mais vulgar súbdito de Sua Majestade Britânica; Alexandre Smith. Por comodidade os companheiros passaram a chamar-lhe apenas Alexandre.
                Era um dos elementos mais antigos da Legião Estrangeira e parecia disposto a nunca mais de lá sair, a não ser que a morte irritada com o seu desafio constante, resolvesse levá-lo um dia.
                Bom militar, inteligente, disciplinado, cometendo serenamente actos de espantosa temeridade, Alexandre, contudo, nunca subira além de cabo e parecia não ter maiores ambições. Condecorado várias vezes, mostrava-se indiferente às honrarias. No entanto, toda a gente lhe reconhecia excepcionais qualidades para subir de posto se quisesse. Era uma coisa bem patente. Não queria sair da obscuridade. Se quisesse poderia ser alferes. Os seus superiores não o contrariavam, deixavam-no permanecer naquele posto humilde, onde aliás era de grande utilidade.
                Alexandre percebia de tudo. Ninguém sabia até onde iam os seus conhecimentos. Não havia problema de mecânica que não resolvesse e quando às vezes, os técnicos, perante uma metralhadora encravada ou um avião imobilizado, cruzavam os braços, dizendo, como médicos perante uma enfermidade incurável, que nada havia a fazer, chamava-se o Alexandre, em último recurso, quase sempre quando já estavam perdidas todas as esperanças e Alexandre consertava facilmente a metralhadora e punha o motor do avião a funcionar.
                Um dia, o capitão que era ríspido e não tinha papas na língua, perguntou-lhe; Homem, tu és engenheiro? Alexandre sorriu, com o seu ar misterioso e respondeu, com estranha humildade; Apenas aprendi alguma coisa de funileiro. Mas a verdade é que Alexandre tinha uma cultura pouco vulgar; Comprazia-se em dissimulá-la, apenas fazendo, de quando em quando, surpresas aos companheiros.
                Falava inúmeros idiomas; Espanhol como um verdadeiro Castelhano, o francês e o inglês não tinham segredos para ele. Dois russos que havia na companhia só com ele se deliciavam a falar a língua materna e afirmavam que ele tinha uma pronúncia perfeitamente moscovita. O inglês era o idioma em que se exprimia mais correntemente, mas não se sabia ao certo quantas línguas ele dominava. Se na sua presença, se falava de Anatomia, de Química, de História, de Geografia ou de Etnografia das regiões mais exóticas, Alexandre falava delas com simplicidade, revelando uma erudição que deixava os companheiros assombrados.
                Era muito metido consigo próprio. Raras vezes se embriagava e fumava que nem uma chaminé, por um cachimbo muito queimado. Contava com amizades em toda a Companhia, mas ninguém se podia gabar da sua intimidade. Havia nele sempre qualquer coisa de inacessível e andava geralmente só. O único que se via mais vezes com ele, em conversas longas e gesticuladas era Paulo Lopes, o Argentino. Mas quem poderia resistir à loquacidade e simpatia de Lopes? Nem Alexandre! O Lopes era o homem mais falador da Legião estrangeira e por falar demais, algumas vezes fora castigado. Nem mesmo quando era sentenciado a trazer às costas um pesado saco cheio de arei do Deserto, saco que nem durante as refeições lhe era retirado, o Lopes se calava. Cumpria falando, esta pena bárbara a que algumas vezes o condenaram por falar demais. Se me calo rebento! Dizia ele, com os grandes olhos escancarados, no terror de lhe porem uma mordaça.
                O Paulo ia no quarto ano de servidão na Companhia. Apanhara apenas dois anos de guerra. Depois, cessaram as hostilidades e ele sentia-se logrado. Vim aqui para combater e não para fazer vida de camponês! Berrava ele, em protesto. Contratara-se por cinco anos. Tinha de ir até ao fim, sem fazer uso da espingarda, que fora substituída pela charrua. Os legionários eram agora uns lavradores militarizados e aborreciam-se daquela vida.
                Paulo Lopes não tinha medo em confessar que a sua vontade era fugir. Não viera a Marrocos para viver em paz. Ele pertencia ao número dos que se alistaram por espírito de aventura. Vivia folgadamente na sua terra. O seu pai possuía boas propriedades na Argentina e uma esplêndida vivenda em Buenos Aires. Pra fazer vida de camponês, tinha ficado a trabalhar na terra do pai. Viera para combater. Era esse o contrato. Se não lhe davam ensejo de combater, é porque o Governo de Espanha faltava ao contrato. Estava, portanto, rescindido, por falta de uma das partes…
                Os oficiais riam-se dos protestos do Argentino. Sabiam que ele era sincero na sua indignação, porque se mostrara sempre um bravo, nunca voltando a cara ao perigo.
                As ameaças de deserção do Argentino, porém pareciam brincadeira. Toda a gente sabia que muitos desertores tinham pago com a vida a temeridade de fugir. Brigadas de perseguição partiam no encalço dos fugitivos e sucedia algumas vezes, que os matavam, sem querer é claro. Os que escapavam eram condenados a uma vida tão miserável que só lembrar causava horror. Outros que conseguiam escapar aos perseguidores, não conseguiam não conseguiam salvar-se de outro perigo maior; O implacável deserto, onde muitos morriam de sede e de fome.
                Não, não era fácil fugir da Legião Estrangeira. A prudência aconselhava a aguardar pacientemente o fim do contrato, tanto mais que concluídas as hostilidades, havia cerca de um ano, a vida não era má e decorria com calma.
                Entre os que escutavam a algaraviada do Argentino, sobre a vida aborrecida que ultimamente se levava na Legião Estrangeira, estava um rapagão espadaúdo e alto, um maravilhoso atleta da Companhia, que tinha um génio folgazão e uns músculos temíveis. Chamava-se Rogério, dizia-se Belga e falava mal o francês. Era mais um paradoxo daquele ambiente de aventureiros. Porque razão o belga falava tão mal o francês e se exprimia tão bem em espanhol e inglês? Os seus colegas pouco o assediavam com perguntas a tal respeito, porque ali o passado de cada um, é coisa sagrada na qual ninguém toca. Se Rogério era um bom companheiro, valente como poucos, forte como um búfalo um pouco ingénuo, como se fosse um menino muito grande, isso bastava à curiosidade dos camaradas, que admiravam os seus feitos desportivos e algumas façanhas heróicas  praticadas, afirmava ele, sinceramente, sem dar por isso.
                Rogério pouco se dava com Alexandre. Tinha por ele um respeito muito grande e sentia-se tímido ao seu lado. Durante os seis anos que já vivera na Companhia, podiam-se contar pelos dedos as vezes que falara com o erudito camarada e este nem parecia dar pela sua presença, pois talvez não compartilhasse da admiração geral pela força extraordinária do belga.
                Em compensação, principalmente nos últimos tempos, Rogério e o argentino tinham-se tornado unha com carne. Onde estivesse um estava o outro.


Pajovi   Maio 2013

domingo, 19 de maio de 2013

AVENTURAS DE DOIS AMIGOS – PARTE 1


Deram mais alguns passos hesitantes arrastando as “babuchas mouriscas”, que deixavam na areia um longo sulco, mas Paulo Lopes deteve-se arquejante, amparado pelos companheiros e murmurou, com voz entre-cortada; Não posso mais!
                Rogério e Alexandre trocaram um olhar angustiado, que o outro, todo derrubado para a frente, como se a cada momento fosse cair, não pode ver.
                Olharam depois em redor vagueando a vista pelo deserto, na esperança de que no amplo ermo, aparecesse a salvação. Nada! Tudo era desolação. Nem o vulto de uma palmeira surgia ao longe, a acenar-lhes a promessa de uma pequena sombra.
                Vamos, mais um pouco de energia – aconselhou Rogério, o mais alto dos três e por certo, aquele que devido à sua constituição atlética, parecia mais resistente aos tormentos do deserto.
                Creio que já vejo ali à frente despontar as folhas verdes de uma palmeira… mentiu Alexandre que embora sendo o mais franzino, tentava animar o Lopes, vencido pela fadiga.
                Havia vinte dias que disfarçados naquelas vestes brancas de mouros, se tinham escapado do acampamento da Legião Estrangeira. A ideia fora de Paulo Lopes. Ele contagiara os camaradas com todo o seu entusiasmo, comprara os mantimentos, adquirira a um Árabe amigo os trajos mouriscos, estudara durante semanas, em silêncio e segredo o itinerário a seguir, dera-lhes o último empurrão, quando os companheiros se mostraram hesitantes e era agora o que primeiro se deixava abater.
                A ideia de abandonar a Legião Estrangeira, de que os três eram veteranos, andava há muito tempo a assolar as suas mentes. Mas calavam-na. O receio de que os oficiais suspeitassem de tais planos levava-os a dissimulá-los, ocultando-os dos próprios companheiros de armas.
                O único, que às vezes se atrevia a falar de uma possível deserção, era o Paulo. Mas à cautela, fazia-o em tom de chacota, acrescentando até, cheio de seriedade e aparente convicção, que o Legionário que tentasse a fuga na época em curso deveria ser considerado louco varrido e punido seriamente.
                Compreendia-se um desertor, naqueles tempos terríveis em que se jogava a vida a cada momento; Mas agora, que o soldado fora transformado em colono, trocando a espingarda pela charrua, a baioneta pela enxada, embora sujeito à disciplina militar, parecia pura loucura abandonar uma existência calma, sem riscos, com alimentação e vestuário garantidos e dinheiro no bolso, para gastar no Bar e amealhar uma boa porção.
                Quem seria o imbecil, que vivendo nestas condições de tranquilidade e segurança, quereria trocar tão preciosas vantagens pela vida civil, tão incerta, da qual a maioria dos soldados já se desabituara, ou pelos riscos de uma fuga, que implicava severas punições?
                 O agrupamento era formado por gente das mais diversas condições sociais, vinda muitas vezes sabe-se lá de onde. O passado do homem que se alistava na Legião Estrangeira, para combater, não contava. Era letra morta. A vida, uma existência espinhosa, plena de perigos, começava no momento em que se alistava, muitas vezes para terminar pouco tempo depois no primeiro combate em que entrava. Pouco importava que longe, algures no Mundo, houvesse uma mãe, uma esposa ou uma namorada, para quem esse homem representasse a única afeição. Essas “pieguices” ocultava-as cada um bem fundo no seu coração, como se fossem fraquezas condenáveis. Raros eram os vestígios dessas afeições distantes. Às vezes, no espólio de um caído para sempre no campo de batalha, encontrava-se o retrato de uma mulher, com uma terna dedicatória ou de um velhote (um pai ou avô), que nem sabia em que recanto do mundo o rapaz se encontrava.
                Havia Legionários que nunca falavam da vida passada. Alguns ocultavam crimes que lhes pesavam na consciência e tentavam redimir-se, expondo a vida em locais mais arriscados durante os combates, cometendo temeridades que chegavam a encher de espanto os veteranos, a quem as balas, depois de uma longa vida e vã perseguição, parecia já nem quererem procurar. Outros alistavam-se por simples espírito de aventura. Eram estes, que não tendo vergonhas a esconder, nem episódios amargos a recordar, se mostravam mais faladores, sobretudo nas conversas tidas no Bar, evocando bons tempos nas suas aldeias tranquilas onde nasceram.
                O agrupamento era uma autêntica “Babel”. Nele tinham entrada livre, aventureiros de todos os Países, de todas as latitudes, de todas as raças. Só Ingleses e Norte-Americanos, por um convénio especial, eram proibidos de se alistar. No entanto alguns por lá passaram… Depois de se terem nacionalizado turcos, argentinos ou peruanos. Polacos, russos, lituanos, checos, portugueses, franceses de todo o lado por lá apareceram oferecendo o seu sangue pela causa Espanhola. Porque ela fosse justa? Por amor a um País de que em regra mal sabiam o idioma? Não! Apenas porque ali se arriscava a vida, ou porque se vivia uma grande aventura, ou porque se encontrava um refúgio, enquanto a morte não se lembrasse de os levar.
                 Se Marrocos tivesse instituído a Legião Estrangeira e pudesse pagá-la tão facilmente como os Espanhóis, mais de metade do agrupamento passava-se para as fileiras do agora inimigo.
                O Legionário, em regra, depois de alistado, sofria uma grande desilusão, sobretudo se era um velho ideal de cavalaria que o levava a Marrocos. A disciplina era férrea, brutal mesmo; Os castigos eram pesados, inquisitoriais e as regalias eram poucas. Caía-se numa estúpida servidão. O homem transformava-se numa máquina de matar, com alguns momentos de prazer grosseiro, no intervalo das chacinas. Esses prazeres só contribuíam para o embrutecer ainda mais.
                Muitos arrependiam-se da precipitada resolução, depois de alistados, mas era tarde. Depois de aceite o contrato, por três ou cinco anos, era preciso cumpri-lo até ao fim, se uma bala libertadora não quebrasse o compromisso… Apanhados na odiosa armadilha, não podiam revoltar-se. Só havia um caminho; Aceitar resignadamente aquela vida, como pena que é preciso expiar. Mas coisa curiosa e paradoxal! Muitos deles, quando expirava o prazo do contrato, quando podiam enfim libertar-se, voltavam a contrair novo contrato. E por mais uns anos, repetiam as lamentações conta aquela vida de cão, contra as injustiças dos oficiais, conta a fatalidade de um destino que afinal eles próprios tinham procurado. Os homens terem destas irónicas e paradoxais atitudes.
               


Pajovi   Abril 2013
                 

quinta-feira, 14 de março de 2013

A FÉ E A REALIDADE DA VIDA


Isaías 26:3-6
“Tu guardarás em perfeita paz aquele cujo propósito está firme, porque em ti confia. Confiem para sempre no Senhor, pois o Senhor, somente o Senhor, é a Rocha eterna. Ele humilha os que habitam nas alturas, rebaixa e arrasa a cidade altiva, e a lança ao pó. Pés as pisoteiam, os pés dos necessitados, os passos dos pobres.” 

        Quais são as expectativas que temos de Deus diante dos acontecimentos ao nosso redor? Muitas pessoas vêm à igreja esperando receber o que Deus nunca prometeu.
             A experiência dos cristãos não se baseia na ideia que muitos têm de como deveria ser a vida do cristão. É preciso entender que o bem-estar verdadeiro não deve estar totalmente voltado para as circunstâncias externas. Se você pensa que a verdadeira fé significa ter certeza que tudo ocorrerá de forma favorável aos seus planos, provavelmente você está próximo de uma decepção espiritual. A maturidade cristã depende da maneira como compreendemos o que é realmente a fé, diante dos ganhos e percas da vida. Qual a base para o desenvolvimento da fé genuína?
          As pessoas de uma maneira geral vêem o conceito de felicidade, como sendo a ausência de factos ou situações desconfortáveis e a presença de tudo que lhes dão prazer e conforto. Assim, muitos cristãos acham que a fé verdadeira tem que estar de acordo com esse parâmetro. Imaginam a fé como se ela pudesse levar Deus a agir como eles acham que deve ser. Conforme esse padrão de felicidade e fé, podemos concluir que quase não há pessoas felizes e fervorosas na Bíblia. No entanto, os exemplos bíblicos que mostram fé e felicidade desta forma são de pessoas que estavam em crise espiritual, revelando assim a sua imaturidade no relacionamento com Deus. Chegaram até a considerar em vão a sua experiência espiritual.
Salmo 73:1-3 e 13 “1- Certamente Deus é bom para Israel, para os puros de coração. 2- Quanto a mim, os meus pés quase tropeçaram; por pouco não escorreguei. 3- Pois tive inveja dos arrogantes quando vi a prosperidade desses ímpios. 13- Certamente foi-me inútil manter puro o coração e lavar as mãos na inocência.  Assim, é preciso analisar a relação da fé com as adversidades.
          São vários os exemplos bíblicos de pessoas com genuína fé em Deus. Curiosamente, porém, quase nenhumas delas viveram sem passar por circunstâncias difíceis. A galeria dos heróis da fé em Hebreus 11, bem poderia ser chamada de galeria dos que “aprenderam a viver contentes em toda e qualquer situação.”
Filipenses 4:11. Não estou dizendo isso porque esteja necessitado, pois aprendi a adaptar-me a toda e qualquer circunstância”.  O apóstolo Pedro aconselha-nos a não estranharmos “o fogo ardente... Destinado a provar-vos”. I Pe 4:12-1412- Amados, não se surpreendam com o fogo que surge entre vocês para os provar, como se algo estranho lhes estivesse acontecendo. 13- Mas alegrem-se à medida que participam dos sofrimentos de Cristo, para que também, quando a sua glória for revelada, vocês exultem com grande alegria. 14- Se vocês são insultados por causa do nome de Cristo, felizes são vocês, pois o Espírito da glória, o Espírito de Deus, repousa sobre vocês”.  O cristão não deve ser conformista ou masoquista diante dos problemas, mas deve encará-los como oportunidades para mostrar o que a fé tem de melhor. É nesse sentido que Jesus disse que não veio trazer paz à terra, porém espada.

           Como é que o cristão deve encarar as dificuldades que o cercam? Elas existem na vida do cristão porque lhe falta fé suficiente?
           Você consegue associar as adversidades com o contexto do conflito entre Deus e satanás? Quem é o causador e quem permite? Por quê?

             O profeta Habacuque revela que a fé nos enleva a uma atmosfera onde a alegria verdadeira tem uma única fonte que é Deus. Hb 3:17-19
”17-  Contra quem Deus esteve irado durante quarenta anos? Não foi contra aqueles que pecaram, cujos corpos caíram no deserto? 18- E a quem jurou que nunca haveriam de entrar no seu descanso? Não foi àqueles que foram desobedientes? 19- Vemos, assim, que foi por causa da incredulidade que não puderam entrar”. Ele sabia por experiência própria que a alegria vinda de Deus não depende de circunstâncias. Por isso Jesus diz em: João 15:11Tenho lhes dito estas palavras para que a minha alegria esteja em vocês e a alegria de vocês seja completa”.  O cristão aprende a olhar para além das nuvens escuras na certeza de que o Sol logo voltará a brilhar. Considere isto: Qual foi a sua reacção diante da última crise que enfrentou? 

O apóstolo Paulo dá-nos um excelente conselho:
Rom: 12:12 “Alegrem-se na esperança, sejam pacientes na tribulação, perseverem na oração”. Este conselho mostra-nos a base para experimentarmos a real maturidade cristã. Para termos paciência diante das adversidades e nos alegrarmos na esperança, precisamos ser perseverantes na oração. Isaías divisou o tempo quando a alegria será eterna e os eventos serão somente para a satisfação dos remidos. Is 35:10 “E os que o Senhor resgatou voltarão. Entrarão em Sião com cantos de alegria; duradoura alegria coroará suas cabeças. Júbilo e alegria se apoderarão deles, e a tristeza e o suspiro fugirão”.  Devemos viver com esta convicção. A genuína fé é caracterizada não por acharmos que a confiança poderá mudar os planos de Deus e que tudo aconteça como queremos, mas sim pela capacidade de esperar sempre n´Ele.
          A nossa vida de comunhão com Deus tem sido suficiente para desenvolver paciência diante das tribulações? Se não, como podemos melhorar?

         “Um homem cujo coração se firme em Deus, será na hora de sua maior prova o mesmo que era na sua prosperidade, quando a luz e o favor de Deus e do homem incidiam sobre ele. A fé alcança o invisível e apega-se a realidades eternas.


Pajovi

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Morreu o nosso animal de “estimação “ou seria o nosso melhor amigo?


Hoje dia 27 de Fevereiro de 2013 às 14:00 hr. morreu a nossa cadela Rottweiler, tinha 13 anos,  chamava-se Kalli Xaida e fazia o favor de morar connosco e ser uma grande amiga de toda a família.
Sempre convivi com animais e sempre os tive cá em casa, desde cães, gatos, pássaros, peixes etc.… mas nunca tinha convivido com um animal como este. A sua presença constante e carinhosa para toda a família sem excepção, o seu carinho a sua preocupação connosco (não, não é exagero), ela sabia qual era o nosso estado de espírito  se estávamos tristes se estávamos alegres, ela sabia e estava sempre lá a compartilhar connosco. Que ninguém me diga alguma vez, que os Rottweiler são cães perigosos, alguns “donos” sim, são perigosos e não deveriam de ser autorizados a ter um tão extraordinário animal. Durante estes anos que convivi com a minha cadela sempre a acompanhei em passeios na rua, no jardim ou na praia, nunca ela usou açaime e também nunca ela se mostrou agressiva, para nenhuma pessoa ou animal, mesmo quando provocada, sempre altiva no seu porte superior. Era um animal lindo e imponente, era maior que qualquer macho entre os que conheci e foram bastantes. A sua morte está a ser difícil de superar e estou a lidar bastante mal com ela. Mas terei sempre a lembrança da sua presença e do seu carinho.

Deixo alguns conselhos para quem está a passar por algo parecido. Espero ajudar.

"A morte de um animal de estimação pode ser extremamente doloroso para o seu dono, pode mesmo ser um acontecimento marcante e que provoca uma enorme dor a quem, durante anos e às vezes décadas, cuidou deles."

Como Lidar com a dor
“É muito importante lembrar-se que amor é amor e que amar um animal de estimação não é diferente de amar uma pessoa, que quando perdemos um animal, apetece-nos chorar. Os seus sentimentos não são errados, e precisará de tempo para lidar com a sua dor. Não tente minimizar os laços que partilhava com o seu animal, independentemente do que as pessoas digam ou pensam. Não apresse o esquecimento do seu animal de estimação.”

Cuide de si
“Perder alguém que amamos pode ser exaustivo, emocional e fisicamente. Quando estamos a lidar com a dor é importante comermos bem e dormirmos bem. A curto prazo, ficaremos mais fortes se olharmos pela nossa saúde agora. Alimente-se com boa comida. Não tenha medo de contar ao seu médico se não estiver a conseguir voltar ao normal.”

Evite as pessoas que dizem: “Era só um animal de estimação”.
“Sabe que tipo de pessoas são estas? São as pessoas que nunca realmente perceberam a ligação que existia entre você e o seu animal. Muitas vezes, elas querem ajudar, mas o mais provável é que estas frases de conforto apenas o façam sentir pior. Se não conseguir evitar estes comentários, ainda que bem-intencionados, tente ignorá-los ou mudar de assunto.”

Procure apoio
“Esta é uma boa altura para ligar a um amigo. Os seus amigos que gostam de animais de estimação irão entender a situação pela qual está a passar e estarão lá por si. Não seja tímido em falar com as pessoas que gostam de si e que oferecerão ajuda. Peça ajuda, se precisar, mesmo para tarefas comuns: pegar nos objectos do seu cão, por exemplo. Se precisar de ajuda para além de um amigo, o seu veterinário pode ajudá-lo a encontrar grupos de pessoas que ajudam a suportar a dor de perder um animal de estimação.”




KALLI XAIDA    até sempre

Pajovi




domingo, 17 de fevereiro de 2013

Carta aberta a um grande Homem com dúvidas e problemas!



O problema que estiver a atravessar enfrente-o. Não fique a dar voltas, fingindo que ele não existe. Se o problema existe, é para ser resolvido. Se for grande demais, vá resolvendo parte por parte, até que ele fique mais pequeno a cada dia que passa. Dê atenção especial a todos os que são gentis e amáveis consigo, com certeza receberá gentileza também. Mas não se esqueça de que nem todos os dias são bons para todos. Dê à sua paciência, à sua compreensão e ao seu raciocínio todo fôlego que eles precisam. Pense duas vezes se tiver que engolir algum "sapo". Lembre-se, ele pode ser indigesto demais. E, mesmo que hoje o seu dia seja bastante atarefado, não se esqueça de deixar alguém feliz, mandando um olá a quem quer bem, às pessoas de quem realmente gosta. Talvez amanhã o seu dia seja muito mais ocupado que hoje, por isso faça-o agora mesmo, não guarde para amanhã.
Tudo que você faz, faz com carinho e muita atenção, visando o bem do próximo, pode ter um retorno para si mesmo.
É bom ver que a esperança de dias cada vez melhores está em si mesmo, em tudo que faz. Vale a pena acreditar no sucesso e ter esperança no futuro. Existem pessoas iguais a si, e graças a Deus por isso, pois precisamos cada vez mais de pessoas que dêem de si ao mundo, para que exista progresso e crescimento da humanidade. Tenho a certeza de que assim como você, que é um grande profissional, existirão muitos mais que se assemelhem à sua pessoa. É bom saber da sua existência, poder trabalhar ao seu lado e conhece-lo como conheço.
Deus o abençoe pelo que é e faz por todos os que o rodeiam.
Desejo de todo o coração, que tenha um "lindo dia".


Pajovi


terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

ENVELHECIMENTO, SINÓNIMO DE SOLIDÃO?


Será que quando envelhecemos também ficamos mais sozinhos? Envelhecer implica solidão? Eu acredito que não, tudo depende de cada um de nós e da forma como encaramos a velhice.
A solidão pode e deve ser combatida, não só pela própria pessoa, mas também pela sociedade. Se a sociedade e a igreja criarem condições adequadas para o combate a este estigma, as pessoas terão de certeza absoluta alternativas à solidão. Será que estão as Igrejas evangélicas, a cuidar convenientemente dos seus velhos?
O ser humano é psicossocial, logo não acredito que se isole de ânimo leve e voluntariamente. Nunca devemos esquecer que solidão, não é sinónimo de isolamento. E este último pode ser auto imposto. Em qualquer dos casos há sempre muito a fazer. Não acredito que ao envelhecer ficamos mais sozinhos, quero acreditar que à medida que envelhecemos, vamos sim aprendendo a lidar com a solidão e a viver connosco próprios. Quando não conseguimos lidar, com uma imagem total de nós e da nossa relação com os outros, então acredito que seja nessa altura que se manifestam “os sintomas” da solidão. Sendo o ser humano um ser social, se não houver uma integração integral e adequada, da representação das relações e do que é a solidão, então nunca saberemos o que é sermos nós próprios, mesmo na presença dos outros.
Estudos indicam que os idosos devem permanecer no seio familiar o mais tempo possível, no entanto, com a sociedade actual, cada vez mais a institucionalização é uma das primeiras opções da maioria dos familiares. Será correcto? (Institucionalização é quando alguém está durante todo o dia entregue aos cuidados de uma instituição que não a sua família). Infelizmente em Portugal é assim que acontece, o idoso quase nunca tem o direito da última palavra nem da escolha, é muito mais simples institucionalizar quando começa a dar mais trabalho. Espero que tal não aconteça no seio das famílias e das Igrejas Cristãs. Existem outras alternativas de apoio aos idosos, sem que estes tenham de sair do seio familiar e social.
A partir do momento da reforma, na grande maioria das vezes, os idosos são descartados e considerados como inactivos e inúteis para a sociedade, sendo desta forma excluídos da mesma. Cabe a todos nós, em especial à comunidade cristã, mudar mentalidades e atitudes, com vista a uma inclusão social deste grupo que ainda tem tanto para oferecer.
De facto ser idoso não significa ser inútil. Ser idoso é apenas mais uma etapa deste ciclo, que é a nossa vida e passagem pela terra.
A grande maioria das pessoas com 65 anos ou mais, são ainda bastante activas e produtivas. De facto, se conseguirmos aproveitar o que de bom este grupo tem para oferecer, conseguiremos ter uma sociedade mais rica, não apenas em termos monetários mas principalmente a nível social e cultural.
Os jovens de hoje serão os idosos de amanhã, por isso se queremos ser respeitados amanhã, respeitemos hoje!

PAJOVI 

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

A IMPORTÂNCIA DA NOSSA VIDA


Existem duas ocasiões na vida, em que percebemos como uma pessoa é ou não, importante para as outras. Uma delas é quando morre.
Quando vou ao funeral de alguém, fico a pensar que se a pessoa que partiu, estivesse ali para ver como era amada e quantos estão ali por ela, essa pessoa saberia medir o vazio que  deixou, no seu ciclo de relacionamentos. Mas na morte, para quem partiu, essa demonstração é tardia demais.
Outro momento em que nos sentimos importantes é no dia do nosso aniversário. Hoje é o meu (25 DE JANEIRO). Claro, como quase todas as pessoas, o dia do nosso aniversário, é um dia muito especial. E para mim também se torna especial, não porque é o dia em que eu nasci, ou porque vai haver uma festa, ou porque vou ter algumas lembranças, mas por toda manifestação pública (ou particular) de carinho por mim.
Há um texto em 1ª João 4:12 que diz: “Ninguém jamais viu a Deus; se nos amamos uns aos outros, Deus está em nós, e em nós é perfeito o seu amor. Quando as pessoas manifestam o seu carinho por mim, é porque Deus está nelas e eu vivo duas emoções, o carinho da pessoa e a manifestação do carinho de Deus no meu coração.
E assim é com cada palavra de amor, escrita ou falada para mim hoje. E porque Deus está em cada um de vocês, eu sinto a manifestação do amor de Deus por mim. Vocês manifestam o vosso carinho por mim e Deus manifesta o amor d´Ele por mim. E isso repete-se, em cada sorriso que me é oferecido em amor. Em cada abraço, sinto a manifestação do Pai, através de cada pessoa, por causa do amor!
Hoje, quando abri o “facebook” e o meu e-mail, lá estavam as manifestações de carinho de todos os meus amigos e conhecidos. Ao ver isso hoje, no meu aniversário,  pude agradecer a Deus por poder estar a fazer aquilo que mais amo, que é servir a DEUS e às pessoas de uma maneira em geral, amigos, conhecidos e desconhecidos.
Hoje é um dia muito feliz. Pelos amigos que eu fiz ao longo da vida, pelo amor deles por mim e pelo amor de Deus, que se manifesta através de mim e através de cada um de vocês!
Obrigado Deus. Obrigado família e amigos. Obrigado à vida, ela é bela!

PaPajovi   QUELUZ, 25 Janeiro de 2013

sábado, 12 de janeiro de 2013

Biografia de Martinho Lutero - PARTE 3


Contra-Reforma

A Contra-reforma, liderada pela ordem dos jesuítas, reconquistou vários territórios que tinham aderido à Reforma. Não obstante, a doutrina, o culto e a piedade preconizados por Lutero se enraizaram na Alemanha, nos países bálticos, nos países escandinavos e na Finlândia. Através doutros reformadores, foram acolhidos na França, Inglaterra, Escócia e Países ' Baixos. Em todos estes países, a Reforma ocasionou extraordinário desenvolvimento cultural, nomeadamente na educação, ciência, economia e política. Pela emigração, os "Luteranos" se espalharam por todos os continentes. Contam, hoje, cerca de 70 milhões. Frade, sacerdote, professor, doutor em Teologia, pregador considerado o primeiro de seu tempo, escritor vigoroso e de grande riqueza lexicografia, fixador da língua alemã, poeta e músico, Lutero abalou o mundo de seus dias e sobre ele se tem pronunciado. citado o juízo dos séculos.

Pronunciamentos sobre Lutero

O historiador Schaff diz que "este foi o maior homem que a Alemanha produziu e um dos maiores vultos da história". Goethe dá o seu testemunho nestes termos: 'Dificilmente compreendemos o que devemos a Lutero e à Reforma em geral. Ficamos livres dos grilhões da estreiteza espiritual (... ) compreendemos o cristianismo em sua pureza". .Heinrich -Heine, o poeta excelso, exclama: "Honra a Lutero, a quem devemos a reconquista dos nossos direitos mais sagrados, e de cujos benefícios vivemos hoje em dia. Através de Lutero adquirimos a liberdade religiosa. Criou a palavra para o pensamento. Criou a língua alemã, através da tradução da Bíblia": Dollinger, historiador católico liberal, diz: "Lutero deu aos alemães o que nenhum outro jamais dera a seu povo: a língua, a Bíblia, a hinologia..." É reconhecido c omo "pai da alfabetização". Dirigiu-se aos pais através de profusas publicações, encarecendo-lhe a escola e a educação dos filhos como necessidade inadiável, para a pátria e a igreja verem melhores dias. Um escritor moderno declarou: "A Lutero deve a Alemanha seu esplendido sistema educacional - em suas origens e concepções. Porque ele foi o primeiro a reclamar uma educação universal, uma educação do povo todo, sem consideração de classe". Deixou à posteridade, em sua fecundidade literária, dezenas de volumes contendo obras doutrinárias, apologéticas, exegéticas, homiléticas, pastorais e pedagógicas. Funck-Brentano, célebre historiador contemporâneo assim se expressa: "Qualquer que seja o julgamento formulado em torno da doutrina religiosa de Martinho Lutero, é preciso reconhecer nele uma das mais poderosas personalidades que o mundo conheceu. Sua energia, seu valor, sua poderosa ação - que decorriam em grande parte da intensidade de suas convicções - estão acima de todo elogio. Calculou-se que seriam precisos a um homem dez anos de vida para simples cópia das cartas, orações e inumeráveis escritos do reformador, e Lutero não só redigiu suas obras, mas pensou-as, deu-lhes estudo e reflexões, corrigiu-as, e isso entre ocupações múltiplas, quase sempre absorventes e das mais diversas, suas prédicas, sua atividade social e política, os cuidados e o tempo que consagrou aos antigos e à família" (Martim Lutero, pág. 22, Ed Veccki). Dezenas de testemunhos dessa natureza poder-se-ia acrescentar à sua pessoa. Os exemplos citados, porém, exemplificam o veredito sobre sua pesso e a obra deixada até os nossos dias atesta a sua grandiosidade.



ROSA DE LUTERO



Símbolos são figuras que expressam verdades e convicções. Uma Cruz, um Coração, uma Rosa Messiânica, um Fundo Azul e um Anel Dourado formam o BRASÃO DE LUTERO.
O coração se apega a Cristo, centro da fé e da vida cristã. A fé se reflete em alegria, consolação, paz e esperança, aguardando a realização das promessas de felicidade sem fim, que ainda serão cumpridas.
A ROSA DE LUTERO tornou-se um símbolo visual da REFORMA e do LUTERANISMO.
 

A IMPORTANCIA DA NOSSA VIDA

  Existem duas ocasiões na vida, em que percebemos como uma pessoa é ou não, importante para as outras. Uma delas é quando morre. Quando vo...